cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Você é um babacofóbico?


Muita gente enche a cara e critica quem fuma maconha. Muita gente usa drogas pesadas mas esculacha com quem come frituras. Muita gente se gaba por ter o carro do ano ou saber falar um idioma, mas é incapaz de articular duas ideias rasas. Muita gente repara nas solas velhas do sapato alheio, mas não percebe a própria ignorância. Muita gente se acha o máximo por ter lido e estudado bastante , mas não consegue traduzir o saber em algo produtivo para os outros e para si mesmo. Muita gente adora esculhambar com o trabalho alheio, mas morre de medo de fazer qualquer coisa.


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Ter preconceitos faz parte das limitações humanas. Até mesmo as pessoas mais esclarecidas correm o risco de caírem na esparrela do preconceito, que consiste basicamente em julgar o que você não conhece ou conhece de forma extremamente superficial. Preconceitos são generalizações. Mais do que isso. É uma modalidade de arrogância pois quem o sente se coloca acima do sujeito ou grupo discriminado.

Estamos na era das fobias. É escandaloso ver que agora existe a gordofobia. Não querer ser obseso e cuidar da forma é justo e válido. Agora, rotular quem está acima do peso, ridicularizando e até mesmo agredindo verbalmente cheira à nazismo e ao sonho da raça perfeita, em que todos tem a mesma cor de pele , tipo de cabelo, medidas , altura e maneira de pensar. Muitos criticam Hitler, mas se pudessem colocariam num paredão obesos, gays, trans, umbandistas, ateus, pessoas que cagam para a moda e intelectuais em nome da raça perfeita , da família perfeita, da crença perfeita, do estilo perfeito etc

Muita gente ainda acha que o modelo correto de família é o que aparece nas propagandas de empreendimentos imobiliários no jornal de domingo. Casal bonito e caucasiano, a mulher sorrindo com cara de frígida e o homem com aquele cara de nada. Um menino loirinho com cara de quem gosta de estudar ao lado da irmãzinha igualmente fofucha. A paisagem é de sol e morar em um condomínio que dá acesso a vasta área de lazer parece a solução contra todas as crises políticas e existenciais da vida.

Muita gente ainda pensa que a sua religião é a única verdadeira e quem tem outra não é filho de Deus e vai queimar no fogo do inferno. Isto é, atribuem a Deus o desejo que elas sentem. O desejo de destruir quem pensa e sente diferente. Mas talvez um câncer pior do que o preconceito seja a hipocrisia.

Muitas pessoas têm preconceito em relação a elas mesmas mas são hipócritas demais para admitir. As pessoas querem viver suas vidas da maneira que melhor lhes convém, mas depois não querem ser vistas e tratadas de determinadas formas. O homofóbico não se aceita como um preconceituoso. Se ele tivesse preconceito e o admitisse como uma fraqueza, ainda vai. Mas não. Querem provar por meio do discurso religioso que a homossexualidade é crime , perversão ou escolha para chocar, ignorando toda um bibliografia médica, psicológica e psicanalítica.

Muitas pessoas se vestem como um outdoor e elas tem este direito, mas julgam quem têm estilo próprio, quem não liga para grifes como alguém menos antenado. Cada um coloca a sua antena em uma direção. Uns escolhem sapatos e bolsas. Outros escolhem livros e filmes. Outros escolhem viagens para destinos inusitados. Outros escolhem uma vida light. Outros combinam mais de uma direção lindamente bem, relacionando Sartre e Nietzsche em cima de um salto agulha depois de voltar de uma viagem para Cancoon.

Os agressivos e intolerantes adoram fundamentar seu ódio usando o nome de Deus. Muitos falam sobre amor, caridade, fraternidade, solidariedade cuspindo fogo, com olhos injetados e palavras azedas como um jato de vômito. O amor e a caridade estão na suavidade, no respeito, no sorriso que vem dos olhos.

Muita gente enche a cara e critica quem fuma maconha. Muita gente usa drogas pesadas mas esculacha com quem come frituras. Muita gente se gaba por ter o carro do ano ou saber falar um idioma, mas é incapaz de articular duas ideias rasas. Muita gente repara nas solas velhas do sapato alheio, mas não percebe a própria ignorância. Muita gente se acha o máximo por ter lido e estudado bastante , mas não consegue traduzir o saber em algo produtivo para os outros e para si mesmo. Muita gente adora esculhambar com o trabalho alheio, mas morre de medo de fazer qualquer coisa.

Sim, sou babacofóbica. Admito. Pode ser uma fraqueza minha não sentir empatia pelos fúteis , pelos invejosos, pelos hipócritas, pelos medíocres que se acham maravilhosos. Talvez, um dia possa ser mais generosa. Por enquanto, seguro a minha gana de estourar lâmpadas de bom senso nos ouvidos de quem ainda não percebeu que a riqueza da vida é a diversidade.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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