cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

A misoginia da Igreja Católica

Cada vez mais percebo que Jesus e a Igreja Católica não apresentam grandes relações. Tampouco defendo as novas pentecostais. Cada uma à sua maneira explora, oprime e engana.


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Sim, a misoginia é um dos mais importantes pilares da Igreja Católica. Fui batizada, crismada e atuei como catequista por mais de 4 anos. Fiz dois cursos preparatórios de catequese, fui dizimista.

Cada vez mais percebo que Jesus e a Igreja Católica não apresentam grandes relações. Tampouco defendo as novas pentecostais. Cada uma à sua maneira explora, oprime e engana.

Jesus foi um libertário, um pé no chão, um humanitário, um transgressor. E o que vemos atualmente? Uma instituição poderosíssima como qualquer outra instituição, agarrada a regras dinossauricas em nome da manutenção do poder e da preservação de suas riquezas. O celibato entre os padres foi criado para preservar as riquezas da Igreja. E esta regra antinatural continua em voga, embora na prática muitos padres mantenham relações sexuais com homens e mulheres. Provavelmente muitos tem uma vida sexual muito mais animada do que a de um pobre pai de família que vai à missa todos os domingos e paga o dízimo.

Quando enfrentamos alguma dificuldade material, quando necessitamos de um emprego ou reclamamos de qualquer questão humana, sempre tem alguém para dizer que o Reino de Deus não faz parte deste mundo. Se não devemos nos preocupar com dinheiro pois o Reino de Deus não é neste mundo ( valor bem questionável) por que os padres pedem o dízimo? Por que pagar a conta de luz da igreja? Por que fazer a limpeza do templo? Se pais e mães de família podem viver unicamente da palavra de Deus, por que não vivem os padres, bispos, arcebispos e cardeais unicamente da sua fé?

Com deboche típico de um homem comum enchendo a cara num bar qualquer, religiosos caçoam da possibilidade de mulheres se ordenarem. Por que não podemos nós rezar missas, ouvir confissões e orientar pessoas? Somos nós menos elevadas espiritualmente ou menos desenvolvidas intelectualmente? Ou será que eles temem as mulheres em todos os sentidos?

Sim, amo Jesus profundamente e invejo quem pode beijar seus pés e lançar-lhe um olhar. Mas só posso desprezar uma instituição que em nome de Deus beneficia a ela mesma, controlando corpos e mentes, roubando a vida e a alegria das pessoas, definindo o que é normal. Só posso desprezar uma instituição que vira as costas para o meu gênero. Se não somos consideradas, não deveríamos considerar esta instituição também. As igrejas pecam contra o segundo mandamento da lei de Deus, pois utilizam o nome do mesmo para fazer o que é mais conveniente para o bem estar da alta cúpula. Obviamente, não nego que existem pessoas bem intencionadas na instituição, mas são caladas, silenciadas como políticos honestos. A garota que pula feliz na foto provavelmente não faz parte de nenhuma igreja.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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