cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Era uma vez em Nova Iorque: dialética entre amor e sobrevivência

A magnética Marion Cotillard encarna magistralmente a dilacerada Ewa, que consegue demonstrar afeto por Bruno apenas no momento em que ele se mostra a ela sem meias palavras, sem disfarces. Por outro lado, o desnudamento de Bruno pode ser muito mais um fingimento do que um ato de sinceridade explícita e à flor da pele.


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Sobreviver e amar são as forças mais vitais da nossa efêmera existência. Mas entre amar e sobreviver, optamos por sobreviver porque ninguém morre de amor. Sofre-se horrores por causa de amor, mas não se morre. E talvez seja este o seu lado mais sombrio e cruel.

Era uma vez em Nova Iorque , título traduzido para o Brasil, conta a penosa trajetória de Ewa , uma jovem polonesa que imigra para os Estados Unidos com sua irmã tuberculosa. Ewa é enfermeira e presenciou juntamente com sua irmã a decapitação de seus pais por militares. A trama acontece no ano de 1920.

A irmã de Ewa é retida pela imigração e conduzida a uma ilha onde ficam pessoas doentes. O tio das jovens que deveria buscá-las no porto não aparece e a bela imigrante fica abandonada à própria sorte.

Quando tudo parece perdido, Ewa consegue a ajuda de Bruno Weiss, que a leva para a sua casa depois de pagar uma propina para um policial, impedindo assim que ela seja deportada para a Polônia.

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Bruno é dono de um teatro e prepara shows quentes e outros números mais lúdicos. Ewa, em princípio, que deveria trabalhar como costureira, acaba entrando no elenco das belas imigrantes que fazem muito mais do que simplesmente dançar sorridentes e seminuas.

Ewa aceita se prostituir para tirar a irmã da ilha e durante sua jornada angustiante , dividida entre o forte propósito de resgatar Magda e a profunda infelicidade por estar contrariando sua natureza, desperta o amor de dois homens: Bruno e seu primo ilusionista, acarretando consequências trágicas.

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A magnética Marion Cotillard encarna magistralmente a dilacerada Ewa, que consegue demonstrar afeto por Bruno apenas no momento em que ele se mostra a ela sem meias palavras, sem disfarces. Por outro lado, o desnudamento de Bruno pode ser muito mais um fingimento do que um ato de sinceridade explícita e à flor da pele. Ele encena a sua própria verdade, recriando-a e liberando Ewa para a vida. Bruno induz Ewa a escolher à vida e não o amor. Ele maximiza seus erros tão humanos, transformando-os em gestos diabólicos para encorajar Ewa a fazer o que ele não tem coragem de fazer sozinho: deixá-la.

Joaquin Phoenix faz uma excelente parceria com Marion Cotillard, proporcionando a Bruno nuances românticas e facínoras ao mesmo tempo.

Um filme melancólico sobre um período turbulento e uma série de vidas condenadas à mera sobrevivência.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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