cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Filosofia em estado poético

Muitos talvez não percebem que fazemos Filosofia no nosso mais banal dia a dia. A Filosofia está nos nossos questionamentos. A Filosofia está quando perguntamos a nós mesmos se estamos vivendo o nosso sonho ou o sonho dos outros.


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"Eu só sei que é preciso paixão", "A hora do sim é o descuido do não", "O amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida", "Lembra de mim se existe algum prazer em sofrer", "Amores morrem no escuro, sozinhos", "Dei pra maldizer o nosso lar/ Pra sujar teu nome/ Te humilhar/ E me vingar a qualquer preço/ Te adorando pelo avesso", "Agora eu era o rei/ Era o bedel e era também juiz/ E pela minha lei/ A gente era obrigado a ser feliz", "Preconceito já causou muito mal/Seres que decidem o que é normal", "Não me sortearam/ A garota do Fantástico/Não me subornaram/Será que é o meu fim?", "Tempo tempo tempo tempo/Compositor de destinos/Tambor de todos os ritmos/ Tempo tempo tempo tempo/ Entro num acordo contigo", "O que não tem mais jeito de dissimular/E que nem é direito ninguém recusar (...) O que nem dez mandamentos vão conciliar", "É duro viver/Sem amor, sem poder/Sem grana, sem glória/Sem nome na história", "Será?/ Tem tanta coisa que a gente não diz/ E se pergunta se anda feliz/ Com o rumo que a vida tomou/ No trabalho e no amor".

Acima dei apenas 13 exemplos ente centenas ou milhares de exemplos possíveis para mostrar o caráter filosófico da poesia. Torcemos o nariz quando ouvimos a palavra Filosofia e achamos bizarro quando alguém decide fazer a faculdade de Filosofia. A primeira coisa que vem à mente ou à boca é: "Você vai ganhar a vida como?"

Se alguém comenta que um filme tem um teor filosófico, a maioria perde a vontade de assisti-lo. Se dissemos que uma pessoa é filosófica, sentimos certo receio. Neste caso até que faz sentido porque estamos tão imersos na mesmice e na superficialidade patológica e coletiva que tudo que descasca o verniz das nossas fórmulas fechadas arrepia.

Porém, muitos talvez não percebem que fazemos Filosofia no nosso mais banal dia a dia. A Filosofia está nos nossos questionamentos. A Filosofia está quando perguntamos a nós mesmos se estamos vivendo o nosso sonho ou o sonho dos outros. A Filosofia está numa conversa inteligente em que as pessoas escutam com respeito os argumentos alheios, mesmo sem concordar com eles. A Filosofia está nas relações dialéticas, em que nenhum se submete ao outro.

A Filosofia está no cinema. Está no teatro. Está nas artes em geral. Está num programa televisivo mais elaborado. Está no devaneio, na utopia, no desejo de um mundo melhor, na perda da fé em um mundo melhor. Está em crônicas do jornal. Nas salas de aula. Está nas músicas que ouvimos e decoramos as letras meio que automaticamente. Está numa conversa poética ao redor de uma mesa de bar.

Se pararmos para ler atentamente cada uma das citações acima, veremos que todas elas refletem sobre a vida, o amor, a sociedade, o tempo. Todas elas nos convidam a pensar qual é o nosso lugar no mundo. Se somos nós mesmos. Se somos felizes. Todas elas nos convidam a refletir sobre o poder, sobre a dor , sobre as perdas e o que fazemos com elas. Como sobreviver à obscuridade. Como sobreviver ao desencontro. Como sobreviver à passagem implacável do tempo.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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