cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Me diz que sou seu tipo...

Como ser mais ou menos bom? Como amar pela metade? Como rir moderadamente? Como ser gentil sem excessos? Como dizer "eu te amo" com sobriedade e abraçar com cautela? Tem certas coisas que acontecem inteiras ou não deveriam acontecer. Ou se sente despudoramente feliz nos braços de alguém ou não se sente. Ou se beija de olhos fechados sem medo do mundo e das circunstâncias ou não se beija. Ou se atira num projeto apaixonadamente ou não se atira.


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Como diria a música Seu tipo, de Eduardo Dusek, adoramos ouvir que somos o tipo de alguém. Sim, é prazeroso ao extremo crer que preenchemos as lacunas alheias e proporcionamos um toque de emoção à cinzenta existência do outro.

Mas será que sabemos de fato quem faz o nosso tipo? Passamos a vida criando verdades para nós. E o pior de tudo: acreditamos nelas. Acreditamos que amamos ou queremos para nós o que nos foi ensinado. Ou acreditamos que amamos e queremos o oposto radical do que nos foi ensinado. Ou nos submetemos ao status quo ou nos submetemos à nossa rebeldia sem causa ou rebeldia com causa.

Aderindo ao estabelecido como pessoas de bem ou desconstruindo tudo num estilo dadaísta, pelo prazer de desconstruir, encarnando a fantasia de ovelha negra da família, de certa forma estamos entrando num jogo social bastante comum. Estamos nos colocando confortavelmente em um dos polos da sociedade: o comportado ou o transgressor.

Difícil mesmo é descobrir o que existe no meio. O que existe no meio como possibilidade alternativa e criativa. Não no meio no sentido cauteloso da palavra como na célebre frase "A virtude está no meio".

Sim, em alguns casos a virtude está no meio. Mas num estilo bem socrático, toda regra tem exceções, portanto não é possível dizer nada com absoluta certeza. Se em alguns casos esta premissa é a mais pura verdade, em outros soa à medo de se posicionar. Pudor de se entregar a qualquer coisa de forma plena. Receio ou preguiça de correr riscos, fazer sacrifícios, se doar ao outro.

Como ser mais ou menos bom? Como amar pela metade? Como rir moderadamente? Como ser gentil sem excessos? Como dizer "eu te amo" com sobriedade e abraçar com cautela? Tem certas coisas que acontecem inteiras ou não deveriam acontecer. Ou se sente despudoramente feliz nos braços de alguém ou não se sente. Ou se beija de olhos fechados sem medo do mundo e das circunstâncias ou não se beija. Ou se atira num projeto apaixonadamente ou não se atira. Vai fazer qualquer outra coisa. Para realizar qualquer empreitada na vida como um casamento construído com admiração, carinho, respeito, uma carreira profissional expressiva, amizades verdadeiras de longa data é preciso se colocar de forma inteira, verdadeira, convicta.

Apesar das nossas dúvidas e reticências, apesar dos nossos momentos de fraqueza ou que temos vontade de jogar tudo para o alto, precisamos crer na força das nossas escolhas e acima de tudo saber se elas vem de nós ou de imposições externas. Quem realmente faz o nosso tipo? Será que escolhemos investir mesmo em relações com pessoas que fazem o nosso tipo ou pessoas que fazem o tipo social? Pessoas que proporcionam mais status, que parecem mais seguras e confiáveis, que parecem mais aptas a não nos magoar nem colocar o nosso coração em risco?

Será que escolhemos o parceiro compatível para a jornada da vida ou o parceiro apto a não nos criar problemas? Por que fugimos de pessoas inteiras, verdadeiras, profundas e intensas? Por que evitamos pessoas capazes de ultrapassar os limites do próprio medo e da própria dor para construir uma relação significativa, corajosa, ampla? Escolhemos o nosso tipo ou o tipo dos nossos familiares, dos nossos amigos, do nosso grupo social?


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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