cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O feitiço da lua: uma comédia romântica que vai além do amor ideal

O casal protagonista é desglamourizado e por isso mesmo mais sensual e convincente. Diferentemente dos tipos perfeitinhos que protagonizam os filmes do gênero, o que encanta em Loretta e Ronny é o caráter patético de ambos. A ele falta uma mão e bom senso. A ela sobra bom senso e a atriz e cantora Cher está bem distante de qualquer estereótipo de mocinha protagonista de comédia açucarada.


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Comédias românticas não costumam fazer a minha cabeça por apresentarem em geral muitos clichês e abordagens mais superficiais e/ou estereotipadas. Porém, alguns filmes do gênero merecem destaque e entre eles está Feitiço da lua, uma obra deliciosa sobre o amor, sobre possibilidades inusitadas e principalmente sobre a família, incluindo a intrincada relação de amor obsessivo que existe entre pais e filhos.

Além do ardente romance entre a desiludida e dramática Loretta com o ainda mais dramático Ronny, irmão caçula de seu noivo, Feitiço da lua mostra a engraçada e acolhedora dinâmica familiar entre ítalo-americanos no bairro do Brooklyn, em Nova Iorque. A família se mantém unida em todos os momentos, o que confere um clima muito aconchegante e afetuoso à trama. Porém, isso não significa dizer que todos vivem em paz o tempo todo, harmoniosamente. Muito pelo contrário. Todos podem ser bem irritantes, cada um à sua maneira.

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Como comédia romântica que é, o filme não consegue fugir totalmente da estrutura do gênero que conta com alguns clichês. Porém, tal característica não tira nem um pouco da graça e do mérito desta obra que vai além da busca do amor erótico. Feitiço da lua é uma bela e divertida homenagem a todos que amam intensamente sua família. Merece destaque a música "That's amore" interpretada por Dean Martin, que abre o filme e nos revela uma protagonista envelhecida e pé no chão. O erotismo apresentado nas cenas entre Loretta e Ronny é muito charmoso e nem um pouco açucarado, pois mescla muito bem sensualidade, humor e a ironia da vida: a mulher que deveria reaproximar os irmãos brigados, apaixona-se por um estando noiva do outro.

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A ida de Loretta e Ronny à ópera é uma cena que merece destaque. Ambos extremamente dramáticos e passionais encontraram na ópera o local perfeito para viverem um suposto último momento como casal. O fato de Loretta avistar no teatro seu pai com outra mulher, um tipo vulgar e ingênuo ao mesmo tempo ( às vezes acho que os tipos mais vulgares são os mais ingênuos) confere um toque à mais de tragicidade cômica a esta ópera familiar.

O casal protagonista é desglamourizado e por isso mesmo mais sensual e convincente. Diferentemente dos tipos perfeitinhos que protagonizam os filmes do gênero, o que encanta em Loretta e Ronny é o caráter patético de ambos. A ele falta uma mão e bom senso. A ela sobra bom senso e a atriz e cantora Cher está bem distante de qualquer estereótipo de mocinha protagonista de comédia açucarada.

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O roteiro é muito bem amarrado, com personagens interessantes e diálogos inteligentes, que fazem a gente pensar. Em resumo: é uma comédia romântica sim, porém, requintada , sensível , com frases que ficam na cabeça por muitos anos , um elenco de peso, personagens marcantes e bem delineados emocionalmente. Bravíssimo!


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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