cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O poder metafórico do sexo no cinema

A nossa sociedade esqueceu como se goza. A nossa sociedade só sabe fazer beicinhos pseudo eróticos em suas selfies, mas esqueceram o poder avassalador do encontro acidental, do amor visceral , menor e vital, que nos traga para os mistérios da vida, que nos arrasta para os abismos das emoções.


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Cena do filme Último tango em Paris

Ainda se escandaliza ou se ofende com o filme Último tango em Paris quem desconhece ou por alguma razão quer ignorar o poder mágico que existe no acaso, no instintivo. Se não posso entender ou explicar racionalmente, critico furiosamente. É mais simples e eu saio melhor na foto social.

O cinema trabalha como ninguém o poder metafórico do sexo como força vital e propulsora de tudo que deve ser sacudido neste mundo de mesmices, lugares comuns, frases prontas, fórmulas fechadas e falsos moralismos.

O erotismo no cinema vai muito além do erotismo e sem querer fazer nenhum jogo de palavras , já fazendo, o sexo no cinema penetra profundamente na intimidade cotidiana, na falta de sentido de uma sociedade que cultua o corpo e nega o prazer. Que defende a liberdade de expressão ofensiva e cruel, mas nega a beleza da espontaneidade. Que se define como politicamente correta, mas que aceita numa boa uma série de injustiças contra os mais fracos, que se importa mais com a forma do que com o conteúdo, que delega uma importância descomunal à burocracia e privilegia os medíocres e tacanhos.

Não podemos falar palavrões em público, mas é totalmente natural passar indiferente por um mendigo na rua. Devemos oferecer o nosso sorriso mais politicamente correto ao nosso opressor para manter a ordem e o estabelecido, mas devemos calar o riso na boca.

Uma relação homoafetiva é o fim da picada. Tratar como um nada o parceiro do sexo oposto está super na moda como as dietas insanas que visam corpos perfeitos carregando almas vazias e mentes estúpidas.

A nossa sociedade esqueceu como se goza. A nossa sociedade só sabe fazer beicinhos pseudo eróticos em suas selfies, mas esqueceram o poder avassalador do encontro acidental, do amor visceral , menor e vital, que nos traga para os mistérios da vida, que nos arrasta para os abismos das emoções.

Até o torpor depois do sexo virou tema para selfies insípidas com gosto de verdura sem tempero e olhar de quem se nega a pensar. Se nega ou nem sabe como fazer isso...

Filmes eróticos como Último tango em Paris, Os sonhadores, A professora de piano, Menina bonita, Atame, Veludo azul, A teta e a lua , O império dos sentidos, Diabo no corpo, entre tantos outros, vieram para jogar em nossos rostos hipocritamente bem comportados que a sociedade prega uma rançosa moral em nome da ordem e das conveniências dos poderosos.

O sexo surge como metáfora de uma liberalização política, artística, educacional etc O sexo surge como um ícone de tudo que precisa ser revisto, repensado, reformulado.

O sexo surge como o grito do esmagado, daquele que quer berrar e protestar, mas que tem sua boca amordaçada e sua voz abafada enquanto quem detém o poder dança suas valsas de falso decoro.

O sexo surge como o lembrete de que a vida é muito mais complexa e intrincada do que nos ensinaram na aurora de nossa existência e que os conceitos de normalidade são bem questionáveis como tudo aquilo que é definido pelo poder.

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Atame. Marina começa o filme atada por cordas e no final encontra-se atada pelo próprio desejo.

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Veludo azul. Limites tênues entre a opressão e o desejo.

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O império dos sentidos. Quando os limites entre o amor e o desejo se perdem.

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Menina bonita. O que significa ser criança?

Cineastas célebres e polêmicos como Luis Buñuel, Pedro Almodóvar, David Lynch, Louis Malle, Marco Ferreri, Marco Bellocchio, Bernardo Bertolucci, Roman Polanski, entre outros, mostram e mostraram o poder do sexo como metáfora da necessidade de aceitar o inexplicável e a importância de revolucionar uma sociedade caquética.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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