cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Por que não é bom ter filho único?

Por que não é bom ter filho único? Quem inventou tal formulação? Não nego os benefícios e alegrias de ter um irmão. Mas dizer que filho único é infeliz, solitário, não tem com quem brincar, não aprende a dividir e por isso vira um mimado chato que ninguém aguenta é mito. Existem caçulas que são mimados chatos. Existem filhos primogênitos que são mimados chatos. Existem filhos do meio que são mimados chatos.


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Nossa sociedade é cheia de mitos e paradigmas. Existe idade para casar, para entrar na faculdade, todo mundo precisa fazer faculdade mesmo que odeie estudar e vá à aula só para perturbar os outros alunos e professores. Quem ganha a vida vendendo sanduíches na praia ou dirigindo um táxi não tem sucesso pois não tem diploma nem status. Todo mundo precisa dirigir carro mesmo que dirija mal e coloque ela mesma e outros em risco. Todo mundo precisa gostar de praia, verão e ficar feliz porque o sol está brilhando, mesmo que a sua vida pessoal esteja uma caca.

Depois de trinta e poucos anos, a mulher não pode ser exigente na hora de escolher um parceiro. Tem que gostar de sexo casual. Se não gosta é frígida. Se gosta e faz é safada. Quem casa precisa ter filhos se tiver saúde e renda para criar bem uma criança. O número ideal de filhos é dois. Tem gente que mal suporta brincar dez minutos com os sobrinhos, mas precisa ter filhos. Tem gente que negligenciou o primeiro, mas precisa ter o segundo para fazer mais caca. Repete-se os mesmos erros e cria mais um infeliz ou faz melhor da segunda vez e deixa o primeiro ainda mais traumatizado.

Por que não é bom ter filho único? Quem inventou tal formulação? Não nego os benefícios e alegrias de ter um irmão. Mas dizer que filho único é infeliz, solitário, não tem com quem brincar, não aprende a dividir e por isso vira um mimado chato que ninguém aguenta é mito. Existem caçulas que são mimados chatos. Existem filhos primogênitos que são mimados chatos. Existem filhos do meio que são mimados chatos.

Crianças com ou sem irmão desenvolvem seu círculo de amizade na escola, entre os vizinhos, com primos, com filhos de amigos dos pais, com coleguinhas do curso de inglês, natação e computação. Muitos irmãos conversam bastante, trocam confidências, saem para passear juntos. Mas muitos irmãos não fazem isso porque apesar de se amarem não compartilham os mesmos gostos.

No caso de irmãos do mesmo sexo, quantas comparações traumáticas não existem? Sempre agradeço por ter um irmão mais velho. Não passei pelo trauma das comparações nem pelo trauma de me sentir preterida pelo caçula.

Quando conhecemos duas moças que são irmãs ou dois rapazes que são irmãos, tendemos quase que automaticamente a definir quem é o mais simpático, o mais inteligente, o mais atraente e por aí vai. Quantas moças não se sentem atraídas pelos parceiros das irmãs e entram num jogo perverso de vitimização ou vilania?

Sem contar aspectos econômicos. Quantos jovens não precisam estudar à noite para trabalhar durante o dia e pagar a faculdade? Muitos poderiam apenas estudar com tranquilidade se fossem filhos únicos. Em uma família de baixa renda é muito complicado garantir o mínimo necessário a dois ou mais filhos.

No caso de um filho que se muda para o exterior por conta de uma oportunidade boa de trabalho ou casamento tem a chance de levar os pais consigo. No caso de dois ou mais filhos, os pais ficarão sempre longe de alguém.

Não falarei sobre os benefícios de ter um irmão ou mais, pois eles já são comentados socialmente. Também não defendo a ditadura do filho único. Proponho apenas uma reflexão. Por que não é bom ter filho único?


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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