cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Possibilidades que quase ninguém vai comentar contigo

Quase ninguém fala que muitos homens que não transam com outras mulheres não o fazem por falta de coragem. Sim, tem muitos homens e mulheres também incapazes de ir a um motel com outra pessoa, mas traem os parceiros de forma muito mais vil e mesquinha: falando mal deles publicamente, expondo seus defeitos para terceiros, subestimando suas qualidades e ressaltando a de outras pessoas.


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Optei por utilizar o termo possibilidades no lugar de verdades, pois acredito cada vez menos em verdades totais. O que é bom para um, pode ser péssimo para outro. O que é erótico para um, pode ser pornográfico para outro. Cada um tem seu conceito de prazer, de amor ideal, de felicidade, de como usufruir do tempo livre. O problema está em querer impor modos de vida às pessoas.

A sociedade é cheia de temas tabu e mesmo as pessoas com mente mais aberta correm o risco de às vezes caírem nas esparrelas do senso comum, da receita de bolo que aponta um caminho único.

Quando alguém afirma não querer ter filhos, normalmente as pessoas arregalam os olhos estupefatas. Como se ter um filho fosse algo orgânico e inevitável como respirar. Os motivos que levam alguém a não querer filhos são múltiplos e complexos. Às vezes eles se embolam dentro de quem não quer. Eles podem variar desde a falta de vontade mesmo até a um altíssimo nível de altruísmo. Muita gente não acredita neste mundo e não podemos julgá-las porque realmente esta vida está muito longe de ser uma micareta. Entre estas duas razões extremas, muitas outras vão se desenrolando no meio. E não importa qual seja o motivo ou motivos. Deveríamos arregalar menos os olhos para tudo.

A maioria das pessoas que tem filhos contam apenas a parte boa da maternidade/paternidade. Pega mal dizer que às vezes qualquer mãe dedicada e qualquer pai amoroso sentem vontade de ir sambar bem longe dos teatrinhos infantis e das odisseias no shopping sábado à tarde. Quase ninguém reconhece que sente falta de passar a tarde inteira transando com o cônjuge pela casa inteira numa espécie de ritual profano. Quase ninguém reconhece que sente falta de ter uma vida adulta, com filmes intelectuais, taças de vinhos , linguagem imprópria e bons bate papos com amigos boêmios até altas horas da madrugada.

O mesmo se faz em relação ao casamento. Quase ninguém admite o quanto é difícil ficar casado. O quanto precisamos renunciar para fazer dar certo ou pelos menos aparentar que está dando. Quase ninguém tem coragem para dizer que o ser humano não é monogâmico por natureza. Dos homens até falam às vezes. Mas das mulheres não. Se uma mulher se dedica ao máximo ao marido e é fiel a vida inteira não é sem uma grande dose de sacrifício. Deixar de se encantar e se levar por outros homens não é um processo natural e indolor. Exige uma força de vontade inacreditável. Talvez, por isso mesmo, tantas mulheres fiquem tão magoadas quando se descobrem traídas. Muitas vezes não é por paixão ao parceiro. Mas é por perceberem que elas se sacrificaram sozinhas. E todo sacrifício solitário na dinâmica de um casal é um sacrifício em vão. É perda de tempo. É desperdício.

Quase ninguém fala que muitos homens que não transam com outras mulheres não o fazem por falta de coragem. Sim, tem muitos homens e mulheres também incapazes de ir a um motel com outra pessoa, mas traem os parceiros de forma muito mais vil e mesquinha: falando mal deles publicamente, expondo seus defeitos para terceiros, subestimando suas qualidades e ressaltando a de outras pessoas.

Quase ninguém comenta que mulher pode trair sim por tesão, por tédio, por curiosidade. Quase ninguém comenta que muitos heterossexuais têm vontade sim de passar por experiências com pessoas do mesmo sexo. Somos seres curiosos por natureza e se não tivéssemos medo, passaríamos por situações mil.

Quase ninguém tem coragem de dizer que a vida é acaso e caos e que estamos por nossa conta em risco. Quase ninguém consegue verbalizar que sentiu vontade de se jogar no vão do metrô pelo menos uma vez na vida. Muita gente teme reconhecer que gostaria de ter uma vida muito diferente. Muita gente não admite que é infeliz mesmo tendo tudo ou quase tudo que desejou.

Sim, o mundo é cheio de tabus e verdades parciais e subjetivas. Mas tentam nos fazer acreditar que existe um único caminho que deve ser seguido por todos. Existe qualquer coisa de indecoroso e despudorado na sinceridade.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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