cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Que julguem, que crucifiquem! É preciso viver!

Pessoas que fazem, criam e empreendem incomodam, irritam. Pessoas que fazem, criam, empreendem lembram aos outros que podemos viver mais intensamente. E tal lembrete é uma pedrinha no sapato apertado de muitos que optam pelo trivial por puro comodismo, por medo de ousar, de tentar e dar errado.


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O célebre filósofo alemão Nietzsche defendeu a ideia da vontade de potência

Para o célebre filósofo alemão Nietzsche, que desenvolveu seu trabalho na segunda metade do século 19 e influenciou importantes nomes do século 20 como o francês Michel Foucault e o sociólogo polonês Bauman, entre muitos outros, defendeu a ideia de que existem forças ativas e reativas.

Pessoas com forças ativas são entusiasmadas, empreendedoras, criativas. Enfim, fazem e acontecem. Os reativos esperam pela ação dos outros para tomar uma atitude. Para Nietzsche os artistas eram aqueles que apresentavam mais forças ativas. Mas, vale ressaltar que para o filósofo o conceito de arte era bem amplo e não se restringia às sete conhecidas artes. Qualquer trabalho feito com paixão podia ser considerado artístico. Qualquer gesto empolgado poderia ser considerado arte.

Já para Nietzsche o mundo da burocracia era o mundo dos reativos. O mundo militar também é um mundo reativo. O escolar deveria ser ativo, mas infelizmente, relembrando Foucault, pode ser bem reativo como um presídio ou um quartel.

O professor Clóvis de Barros Filho, em uma palestra, afirmou jocosamente que os reativos são aqueles que furam o pneu da bicicleta dos ativos. Foi além. Afirmou que ativos são fortes e solitários pois são os fracos que se unem para derrubar os fortes.

Força aqui não é entendida como melhor status social ou maior conta bancária. Força aqui também não se refere a músculos. Força se refere à capacidade de fazer, criar, empreender.

Pessoas que fazem, criam e empreendem incomodam, irritam. Pessoas que fazem, criam, empreendem lembram aos outros que podemos viver mais intensamente. E tal lembrete é uma pedrinha no sapato apertado de muitos que optam pelo trivial por comodismo, por medo de ousar, de tentar e dar errado.

Sempre as críticas mais cáusticas vem de bocas que não falam, de mãos que não produzem, de mentes que não criam nem refletem. Muitas vezes, quem nada faz, afirma que poderia fazer muito melhor se decidisse fazer algo e não faz pois o mundo não é digno de ver as maravilhas que ele produziria. Soa como piada, mas encontramos estas sacadas no mais comezinho dia a dia.

Quando somos nós mesmos, quando fazemos as nossas escolhas com ousadia e construímos a nossa vida com nossas mãos, escrevendo a nossa história com nosso suor, nossas lágrimas, nossos risos e desejos, seremos provavelmente muito julgados e criticados, pois lembraremos ao mundo que é possível viver com intensidade, com autenticidade, desenvolvendo as nossas forças ativas em vez de reagir apenas com mau humor e tédio a uma vida mecânica, sem savoir faire.

Sim, é preciso enfrentar o julgamento, o escárnio, a piada mordaz, o olhar cruel, a inveja rancorosa dos falsos moralistas. O ódio e o nojo de quem esconde de si mesmo que possui os mesmos anseios.

Sim, é preciso ser julgado para ter uma vida que vale a pena ser vivida. Se Jesus foi crucificado, qual é o problema de levarmos umas alfinetadas?


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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