cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Sociedade dos poetas mortos: a educação como libertação

Eu, particularmente, fico com o professor e sua pedagogia afetiva e criativa que desconsidera métodos fechados. Eu fico com a poesia. Com a arte. Com o amor. Com a irreverência inteligente e criativa. Eu rasgaria com gosto aquelas páginas ridículas e inúteis que "ensinam" a mensurar a beleza e a emoção. Eu fico com o direito que cada um deveria ter de escolher o próprio caminho. Fico com a escola que prepara homens e mulheres e não robôs. Fico com escola que prepara cidadãos e não consumidores. Fico com a escola que não prepara a vida, mas que já é a própria vida.


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Nada é mais libertador ou tirânico do que um professor. E como diria John Keating, as palavras podem sim mudar o mundo. Obviamente, o mundo tenta nos convencer de que palavras nada mudam pois nada assusta mais do que a mudança.

Muitos de nós preferimos viver condenados a vidas medíocres do que corrermos o risco de cair em uma vida trágica. Entre a mediocridade e a tragédia, a mediocridade parece menos pior. Será mesmo?

Imaginem um mundo em que as pessoas são preparadas para pensar com suas próprias cabeças e acima de tudo, sentirem. Imaginem um mundo em que cada um escolha seus próprios caminhos? Se nos dias atuais já é complicado falar sobre liberdade para decidir o seu destino e autonomia de pensamento, imaginem o quanto era complexa esta questão nos anos 1950, em que pais e professores tinham o dever moral de preparar os jovens para cumprir ordens e padrões de forma completamente obediente?

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O que dizer de um jovem que já tem o destino traçado pelo pai, desafiar todo o projeto de uma vida em nome de um sonho arriscado? Lutar pelos próprios sonhos ou se render à realidade sempre foi um dos dilemas mais complexos do ser humano.

Se para alguém com uma linha mais conservadora de pensamento, o professor provocou o caos e desestruturou a vida daqueles jovens estudantes, para alguém com uma linha de pensamento mais libertária, ele promoveu uma mudança essencial, mesmo que o efeito colateral tenha sido a perda de um jovem.

Se por um lado, muitos podem imaginar que o professor provocou mesmo que sem querer o suicídio, por outro, podemos dizer que quem o detonou foi o pai, mesmo que inconscientemente.

Saber onde reside o equívoco é uma questão de ponto de vista. A situação pode ser lida nos dois sentidos e cabe a cada um escolher o seu lado. Talvez o suicídio possa ser lido com um mero gesto impulsivo de desespero. Por outro lado, talvez, o pior dos suicídios é se condenar a uma vida longa e medíocre. Neste sentido, o suicídio do garoto foi uma libertação de uma sociedade sufocante em que o teatro e o professor Keating eram as únicas lufadas de ar fresco.

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Eu, particularmente, fico com o professor e sua pedagogia afetiva e criativa que desconsidera métodos fechados. Eu fico com a poesia. Com a arte. Com o amor. Com a irreverência inteligente e criativa. Eu rasgaria com gosto aquelas páginas ridículas e inúteis que "ensinam" a mensurar a beleza e a emoção. Eu fico com o direito que cada um deveria ter de escolher o próprio caminho. Fico com a escola que prepara homens e mulheres e não robôs. Fico com escola que prepara cidadãos e não consumidores. Fico com a escola que não prepara a vida, mas que já é a própria vida.

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Sociedade dos poetas mortos faz uma bela homenagem à Shakespeare, mostrando uma montagem teatral da peça Sonho de uma noite de verão. O interessante da escolha desta comédia romântica do cultuado dramaturgo inglês é o fato desta peça apresentar um tom irônico quando mostra todos os personagens encontrando a felicidade no final. A vida real é bem diferente de Sonho de uma noite de verão e Shakespeare parece debochar da nossa triste realidade por meio de uma ficção idílica.

O personagem de Neil vive Puc e um grande sonho durante a montagem teatral. Mas encerrada à apresentação, a realidade se impõe duramente e de forma inegociável e implacável. E da mesma forma que os irmãos do filme Os sonhadores não suportam a realidade , Neil opta por aquilo que para ele era um sonho e renuncia ao pesadelo vislumbrado por seu severo pai, que já traçou todo o seu destino nos mínimos detalhes.

Sociedade dos poetas mortos é uma aula de filosofia e um retrato vigoroso do professor que quase todos nós gostaríamos de ter. Do professor que todos nós deveríamos ter.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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