cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Somos todos crianças...ou deveríamos ser

Se fôssemos mais crianças, nossas vidas não seriam tão modorrentas nem nossos relacionamentos tão cinzentos. Se fôssemos mais crianças, tomaríamos sorvete sem culpa e riríamos mais espontaneamente. Se fôssemos crianças seríamos autores de nossas vidas e pintaríamos o nosso caminho com cores vivas.


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Pablo Picasso disse que levou anos para pintar como Rafael e uma vida inteira para pintar como uma criança. Ops! O nível do seu trabalho caiu no decorrer da vida? Associamos pessoas imaturas, egoístas, despreparadas para a vida com crianças. A criança virou o signo do descomprometimento, da falta de consideração pelos sentimentos alheios, da falta de responsabilidade com os próprios projetos.

Sim, crianças tendem a ser mais egocêntricas, o que difere de egoístas, principalmente nos primeiros anos da infância. Por outro lado, crianças são destemidas, criativas, autênticas, se atiram no que gostam com alegria, entusiasmo. Crianças não têm preconceitos. As que apresentam, provavelmente, os importaram de seu meio social. Crianças encontram soluções inusitadas para os problemas, fazem perguntas desconcertantes, criam mundos paralelos, muito mais coloridos e vibrantes do que os nossos. Crianças acreditam que o futuro reserva experiências incríveis. Crianças são curiosas e não temem demonstrar o quanto amam ou odeiam.

Se fôssemos mais crianças, nossas vidas não seriam tão modorrentas nem nossos relacionamentos tão cinzentos. Se fôssemos mais crianças, tomaríamos sorvete sem culpa e riríamos mais espontaneamente. Se fôssemos mais crianças seríamos autores de nossas vidas e pintaríamos o nosso caminho com cores vivas.

Se fôssemos mais crianças teríamos mais brilho no olhar, mais curiosidade na mente, mais luzes na alma. Se fôssemos mais crianças não nos submeteríamos tão facilmente à infelicidade, ao desprazer, a uma vida sem sentido. Se fôssemos mais crianças transaríamos com mais amor, com mais calor. Se fôssemos mais crianças não teríamos medo de dizer eu te amo e de nos jogar nos abismos do acaso. Se fôssemos mais crianças seríamos menos hipócritas, menos medrosos, menos bitolados e até o nosso ódio seria mais eloquente. Se fôssemos mais crianças, não faríamos nada pela metade.

Como se não bastasse sermos tão pouco crianças, ainda queremos que as crianças virem mini adultos, atolados de compromissos, escravos do relógio e da necessidade de ostentar, aparentar.

Criança precisa brincar, sonhar, pular com as mãozinhas espalmadas e esticadas a fim de alcançar a lua e transformá-la em seu brinquedinho particular. Criança precisa rir, ser ela mesma , descobrir-se no caos do dia a dia. Criança precisa ser levada a sério. Criança não precisa estar na moda nem fazer 10 cursos extracurriculares por semana. Criança precisa ser feliz.

Muitos adultos não sabem, mas quando uma criança brinca ou leva um objeto à boca ou retira todos os livros de uma estante ou todas as panelas de um armário ela não está fazendo bagunça ou passando o tempo. Ela está pesquisando, estudando, descobrindo o mundo. Por meio das brincadeiras entre amigos, com irmãos e primos, as crianças descobrem suas potencialidades. Uma das minhas brincadeiras favoritas na infância era dar aula para as minhas bonecas. Hoje sou professora.

Vamos parar de projetar nossos sonhos e expectativas nas crianças e permitir que elas sejam elas mesmas. Vamos começar a projetar o que realmente queremos para nós.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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