cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A diferença entre autoajuda e filosofia

Podemos sugerir que a pessoa desenvolva o autoconhecimento, mas não podemos dizer quem ela é. Cada um terá que descobrir sozinho como se encontrar nos escombros da realidade e resgatar-se do seu lixo emocional. Podemos incentivar que a pessoa expresse seus sentimentos, mas não podemos definir a forma com que ela fará isso. Podemos sugerir que a pessoa deixe para lá pequenas mesquinharias e problemas menores. Mas não podemos definir o que é grande e pequeno para ela. Podemos apenas dar exemplos baseados em nossa experiência, mas sem nenhum caráter absoluto ou fechado, apenas ilustrativo para dar uma cor aos textos.


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Viver não é fácil e tal ideia parece unânime ou quase unânime. E cada um busca meios para superar crises, resolver dilemas, tomar decisões e fazer escolhas. Como dizia Sartre, toda escolha engloba renúncias. Cada um busca meios para se entender melhor, para tirar algum ensinamento da dor e viver a vida da melhor forma possível.

Uns sonham acima de tudo com o amor. Outros com status. Outros querem mesmo uma vida sossegada, um peixinho para grelhar e uma vista para o mar. Alguns querem alcançar o corpo perfeito. Outros lutam e malham pela mente mais flexível e poderosa possível. Para outros a fé basta e preenche todas as lacunas.

Para uns o amor é purpurina, fogos de artifício. Para outros o amor é calmo e paciente. Tem gente que sonha com um amor para a vida inteira. Outros preferem viver o momento. Tem gente que vive para trabalhar e outros que trabalham para viver. Tem gente que gosta de organizar, sistematizar. Tem gente que gosta é mesmo de criar.

Tem gente que aguenta tudo calado e quando explode cria guerras homéricas. Tem gente que explode um pouquinho de cada vez. Tem gente que bate com uma mão e acaricia com outra. Tem gente que parece fria, mas queima por dentro. Tem gente que só queima por fora. Tem gente que queima por todos os lados com uma energia intensa.

Tem gente que prefere desistir para recomeçar. Tem gente que prefere desistir por cansaço. Tem gente que prefere insistir por valentia. Tem gente que prefere insistir por covardia. Medo do novo. Voltar à estaca zero.

Enfim, cada um tem o seu jeito de ler o mundo, as pessoas. E o que é maravilhoso para uns, pode ser a morte para outros. A ideia de tentar orientar as pessoas em si é muito edificante. Porém, se somos tão diferentes, como poderemos superar crises de formas idênticas, seguindo os mesmos passos, no mesmo ritmo? Como posso dizer que yôga é a melhor forma para relaxar? Posso sugerir que a pessoa busque relaxar, mas apenas ela poderá encontrar o melhor caminho para tal. Como posso definir um prazo para a pessoa se recuperar depois de uma decepção amorosa? Posso incentivar que a pessoa busque forças dentro dela mesma para superar o mau momento, mas não posso descobrir os melhores meios. Eu conheço os melhores meios para mim. Dizer "Tente relaxar ou se divertir" é completamente diferente de dizer " Leia um livro ou pratique um esporte".

Como afirmou um psiquiatra, as pessoas quando estão deprimidas devem correr atrás de onde há vida na concepção delas. Não importa se é folheando romances em uma livraria ou assistindo a um filme ou conversando com amigos.

Podemos sugerir que a pessoa desenvolva o autoconhecimento, mas não podemos dizer quem ela é. Cada um terá que descobrir sozinho como se encontrar nos escombros da realidade e resgatar-se do seu lixo emocional. Podemos incentivar que a pessoa expresse seus sentimentos, mas não podemos definir a forma com que ela fará isso. Podemos sugerir que a pessoa deixe para lá pequenas mesquinharias e problemas menores. Mas não podemos definir o que é grande e pequeno para ela. Podemos apenas dar exemplos baseados em nossa experiência, mas sem nenhum caráter absoluto ou fechado, apenas ilustrativo para dar uma cor aos textos.

O grande barato da filosofia é que ela não simplifica nem unifica as respostas. Muito pelo contrário. Ela ensina a fazer perguntas. Ela não define como todo mundo precisa viver. Ela orienta no sentido da liberdade e da autonomia de pensamento. Ela não entrega uma fórmula fechada para aplicarmos. Ela faz com que cada um descubra a sua "fórmula" peculiar para viver dentro das suas subjetividades.

Filosofar é exercitar a inteligência. Filosofar é muito mais do que conhecer linhas de pensamento propostas por grandes intelectuais. Filosofar é refletir sobre a própria vida, sobre o próprio saber. Quem filosofa mais do que descobrir, ajuda a fazer os seus caminhos ou na pior das hipóteses a se adequar a eles da forma mais criativa e particular possível.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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