cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dez filmes para quem não tem preguiça de pensar- parte 3

Preparados para a parte 3 da lista? Esta parte promete emoções fortes! Mas se você sobreviveu às duas primeiras listas e até gostou da experiência, mergulhe de cabeça no capítulo 3 da nossa jornada pelo fantástico mundo do cinema inteligente.


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Cena de Saló ou 120 dias em Sodoma.

Preparados para a parte 3 da lista? Esta parte promete emoções fortes! Mas se você sobreviveu às duas primeiras listas e até gostou da experiência, mergulhe de cabeça no capítulo 3 da nossa jornada pelo fantástico mundo do cinema inteligente.

1. Saló ou 120 dias em Sodoma, de Pasolini

Além de um coração forte, é preciso ter um estômago forte também para ingressar neste delírio sadiano em que a Itália fascista é retratada por meio de uma perversa alegoria. Pasolini utilizou a obra de Marquês de Sade para mostrar as barbaridades que o poder faz em nome de seus próprios interesses e prazer. Não, Pasolini não era um tarado deturpado. A Itália fascista, como qualquer outra ditadura, era perversa e deturpada.

2. Diabo no corpo, de Marco Bellocchio

Não, não se trata da continuação do filme O exorcista. Diabo no corpo é um filme político italiano que utiliza uma grande dose de erotismo para falar sobre os tênues limites entre sanidade e loucura e defender a segunda como uma importante forma de liberdade. Sem hastear nenhuma bandeira , o personagem protagonista masculino mostra que todo libertário é um niilista de certa forma. E o riso fácil e despudorado da personagem protagonista feminina nos mostra que toda felicidade genuína é um tanto inconsequente.

3. O que você faria? , de Marcelo Piñeyro

O que você faria é a tradução brasileira para o título original El método. Durante um processo seletivo acirradíssimo e com regras pouco transparentes, mergulhamos não apenas na sordidez do mundo corporativo, mas também na sordidez da própria sociedade.

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Cena do filme "O que você faria?" , coprodução espanhola, italiana e argentina

4. Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Amarga crítica ao American Way of life, que mostra um patético concurso de beleza mirim, revelando que as pessoas estão perdendo a espontaneidade ainda na infância e sendo reduzidas a meros consumidores. O filme discute lindamente bem os conceitos de sucesso e felicidade.

5. Pulp fiction, de Tarantino

Com um mix de situações bizarras e outras bem cotidianas, o esteta da violência e da vingança, pinta um retrato bizarro da sociedade americana, abarrotada por simulacros, busca desenfreada pelo prazer e um otimismo infantil.

6.O anjo exterminador, de Luis Buñuel

O anjo exterminador, talvez, seja um dos mais metafóricos filmes de Buñuel, altamente conhecido e reconhecido por sua linguagem subjetiva e conotativa. Um grupo de membros da alta sociedade fica retido na sala de visitas de um casal de amigos, embora nenhum elemento físico os impeça de alcançar a rua. Uma feroz crítica à burguesia mexicana , que pode ser transposta ao contexto de muitos outros países.

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Cena de Pulp Fiction

7. Muito além do jardim, de Hal Ashby

Filme metalinguístico e poético sobre um homem simples que conhece o mundo por meio da televisão. Porém, as pessoas o encaram como um sábio a partir de seus próprios saberes e bagagem cultural.

8. A fita branca, de Michael Haneke

Cruel e metafórico filme sobre as raízes do nazismo na Alemanha, em que crianças demonstram um comportamento extremamente cruel e sádico.

9. Cria cuervos, de Carlos Saura

Alegórico filme sobre as raízes do Franquismo na Espanha, em que a personagem protagonista, uma garotinha órfã, revela todo o espírito facínora de uma nação.

10. O cheiro do ralo, de Heitor Dhalia

Poético filme sobre os asquerosos mecanismos do poder.

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Cena do filme O cheiro do ralo

Até a próxima!


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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