cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dez filmes para quem não tem preguiça de pensar - parte 4

Ok.Ok.Ok. Nenhum dos filmes terminou com uma bela cena de casamento nem com uma afetuosa troca de alianças de noivado. Ok.Ok.Ok. Nenhum dos filmes terminou com o nascimento de um lindo bebê e o famoso felizes para sempre. Mas, talvez, já esteja em tempo de adotarmos uma postura mais adulta e consciente diante dos filmes e da vida como um todo, destrinchando as suas obscuridades e jogando luz sobre seus mitos. Quem se nega a ver e aceitar o que o cinema inteligente nos mostra, provavelmente se recusa a enxergar os mesmos dramas na vida cotidiana.


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Cena do filme A comilança

Se você chegou à quarta parte da lista, provavelmente você já está mais do que iniciado na arte de assistir filmes inteligentes e atualmente acredita que o cinema é uma arte que vai muito além do mero entretenimento. Meus parabéns! Você deveria receber um certificado ou uma medalha, mas o seu grande prêmio será saborear o lado B das produções midiáticas e da própria vida.

1. A comilança, de Marco Ferreri

Bizarro e alegórico filme que pode ser lido sob o viés da Psicologia( as 4 fases da libido) ou sobre a perspectiva da sociedade de consumo, em que ingerimos incessantemente produtos e informações para preencher o vazio de uma vida sem sentido.

2. O homem do lado, de Gáston Duprat e Mariano Cohn

Hermético filme argentino que revela de forma cruel como nos fechamos para as outras pessoas por meio da abertura de uma janela que cria inconvenientes homéricos.

3. O discreto charme da burguesia, de Luis Buñuel

Mordaz filme de Buñuel sobre a incapacidade da burguesia de viver uma vida autêntica e a submissão da Igreja ao poder econômico. Se em O anjo exterminador, os convidados não conseguem se retirar da casa do casal de amigos, em O discreto charme da burguesia, os amigos sempre falham no intento de marcarem uma refeição.

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Cena do filme O discreto charme da burguesia

4. O labirinto do Fauno, de Guilhermo del Toro

Filme mexicano que mostra de forma fantasiosa e alegórica o Franquismo espanhol.

5. A comunidade, de Alex de la Iglesia

Comédia de humor negro, com boas pitadas de terror sobre um edifício residencial que esconde um terrível segredo. Um amargo lembrete da ambição humana e dos horrores que somos capazes de praticar por dinheiro e poder.

6. Relatos selvagens, de Dámian Szifron

Filme argentino dividido em esquetes que mostra seis histórias de vingança e de descontrole emocional diante de situações limite. O filme mergulha no lado B do ser humano, revelando as suas mais profundas vicissitudes.

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Cena do filme Relatos selvagens

7. Táxi driver, de Martin Scorsese

Um relato amargo da solidão nas grandes cidades e um questionamento profundo do conceito de heroísmo, tomando como referência a guerra do Vietnã.

8. Nascido para matar, de Stanley Kubrick

Filme mordaz sobre as motivações e as consequências de uma guerra na vida das pessoas comuns.

9. Teorema, de Pasolini

Metafórico e crítico filme sobre o vazio e falta de sentido na vida de uma família rica no final dos anos 1960, tempo em que muitos diretores italianos combateram veementemente a sociedade de consumo.

10. Foi apenas um sonho, de Sam Mendes

Realista e desesperado relato do fiasco do American way of life e do casamento e maternidade como formas de alcançar a felicidade.

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Cena do filme Foi apenas um sonho

Ok.Ok.Ok. Nenhum dos filmes terminou com uma bela cena de casamento nem com uma afetuosa troca de alianças de noivado. Ok.Ok.Ok. Nenhum dos filmes terminou com o nascimento de um lindo bebê e o famoso felizes para sempre. Mas, talvez, já esteja em tempo de adotarmos uma postura mais adulta e consciente diante dos filmes e da vida como um todo, destrinchando as suas obscuridades e jogando luz sobre seus mitos. Quem se nega a ver e aceitar o que o cinema inteligente nos mostra, provavelmente se recusa a enxergar os mesmos dramas na vida cotidiana.

Não é à toa que estamos construindo uma sociedade cada vez mais frustrada, com vidas vazias e sem sentido. Não é à toa que o consumismo desenfreado está "preenchendo" a nossa fome de afeto, de significados mais profundos. Não é á toa, que nossas relações estão cada vez mais descartáveis e nosso conceito de felicidade está cada vez mais materialista. Não é à toa que confundimos pateticamente os conceitos de sucesso material com sucesso existencial. Não é à toa que tantas pessoas se sintam obrigadas a viver vidas que não lhe pertencem em nome de protocolos sociais.

Não é nos dopando com filmes irrealistas, que prometem uma falsa felicidade que conseguiremos realizar os nossos objetivos e potencialidades mais profundas. Sim, faz-se urgente e importante mergulhar no mundo das artes e ouvir atentamente o que elas têm a nos dizer.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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