cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dez filmes para quem não tem preguiça de pensar-parte 5

Uau! Se você chegou à parte 5 da lista de filmes intrigantes, instigantes, inteligentes, imperdíveis, você é bem mais do que um iniciado que entende o cinema como uma fantástica ferramenta de fazer pensar e sentir simultaneamente, tudo junto, ao mesmo tempo. Você está completamente enredado na teia fascinante e perigosa dos filmes que negam ousadamente o senso comum.


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Cena do filme Anticristo

Uau! Se você chegou à parte 5 da lista de filmes intrigantes, instigantes, inteligentes, imperdíveis, você é bem mais do que um iniciado que entende o cinema como uma fantástica ferramenta de fazer pensar e sentir simultaneamente, tudo junto, ao mesmo tempo. Você está completamente enredado na teia fascinante e perigosa dos filmes que negam ousadamente o senso comum. Sirva-se de uma boa taça de vinho ou uma caneca com café bem fumegante, acomode-se confortavelmente no sofá e ponha os neurônios para trabalhar exaustivamente. Eles vão amar!

1. Anticristo, de Lars Von Trier

Ok.Ok.Ok. Concordo. O filme é peso pesado. É um soco no estômago depois de ter comido uma feijoada rança. Mas Lars Von Trier não está se importando muito em deixar as pessoas felizes e confortáveis. Um cruel e dilacerante retrato da mulher na visão do diretor ou talvez na visão judaico-cristã que condena a mulher por seu caráter transgressor e transformador.

2. Festa em família , de Thomas Vinterberg

Vinterberg e Lars Von Trier são figuras decisivas no movimento Dogma 95. No filme Festa em família, as regras adotadas no movimento foram respeitadas à risca e com uma linguagem seca e cortante, Thomas Vinterberg nos atira numa realidade igualmente indigesta: encontros familiares formais com o intuito de comemorar uma data importante que acabam mesmo por desnudar a precariedade das relações familiares num jogo de agressividade emocional. Se você chora vendo propaganda de tender na época do Natal, vai achar a família de Festa em família muito esquisita.

3. Fahrenheit 451 , de François Truffaut

Imaginem uma sociedade em que os bombeiros não apagam incêndios e sim os promovem? Imaginem uma sociedade em que os bombeiros queimam os livros porque o governo os considera perigosos? Esta é a realidade de Fahrenheit 451. Aqui no Brasil, esta sociedade provavelmente não existiria já que desprezamos naturalmente os bons livros.

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Cena do filme Fahrenheit 451

4. Cold lunch, de Eva Sorhaug

Por aqui, imaginamos que tudo são flores na Noruega. Cold lunch parece desmentir esta teoria cheia de um prazer cruel e delicioso. Sim, a vida dos personagens que se entrecruzam se parecem mesmo um almoço frio: solitárias, sem sentido, sem perspectiva. Personagens perambulam , ora tentando sobreviver, ora fingindo respaldar suas vidas vazias.

5. Último tango em Paris, de Bernardo Bertolucci

Não, Último tango não é um filme pornô. E me parece altamente melancólico perceber que para a maioria das pessoas a famosa cena da manteiga não passe de uma cena de sodomia. O ato sexual anal surge como uma metáfora da transgressão, da tentativa desesperada de revolucionar a ordem social, com suas convenções caquéticas, que visam simplesmente manter o poder estabelecido. Bertolucci faz parte deste seleto grupo de diretores que mostra o sexo como metáfora da libertação social e emocional.

6. O fantasma da liberdade, de Luis Buñuel

Filme construído na forma de esquetes, mergulha fundo numa linguagem surrealista mais ortodoxa. Uma deliciosa e inteligente sátira das ridículas convenções sociais.

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Cena do filme O fantasma da liberdade

7. A pele que habito, de Pedro Almodóvar

Um mergulho tétrico e sensual no desejo e na sexualidade. Vamos muito além da nossa pele. Vamos muito além de nossos genitais. O desejo é multifacetado e complexo e não importa qual caminho peguemos, chegaremos sempre amor. Bem, pelo menos esta é a tese da filmografia colorida de Almodóvar.

8. Fellini, 8 e 1/2

Metalinguístico filme do mestre italiano sobre um cineasta famoso em crise criativa e os tênues limites entre o sonho e realidade.

9. The babadook, de Jennifer Kent

Filme de terror australiano que põe em xeque o mito do amor materno, ao descrever a rotina exaustiva e claustrofóbica de uma mulher que não consegue superar a morte do marido.

10. Uma nova amiga, de François Ozon

Poético e sensibilíssimo filme sobre as variadas possibilidades da sexualidade humana.

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Cena do filme Uma nova amiga


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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