cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dor não se mede nem se compara. Dor se consola

Muitas pessoas bem-intencionadas, realmente dispostas a ajudar, costumam contar histórias muito tristes e até mesmo trágicas que ocorreram em sua vida com o intuito de mostrar que existem dores maiores no mundo e desta forma minimizar o sofrimento de quem chora ou simplesmente está prostrado, sem vontade de nada.


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Dor não se mede nem se compara. Dor se consola. Quando estamos sofrendo a nossa percepção se modifica. O mundo se estreita e parece não haver portas abertas ou janelas para se pular. E se tem alguma, não temos força para nos atirarmos do outro lado. A janela parece sempre alta demais. E o outro lado nos assusta.

Sofrer é andar no escuro tateando num lugar desconhecido e inóspito. Quando sofremos queremos ser consolados. Pode ser com palavras, com olhares ou com apenas um abraço forte que diga "Você não está sozinho".

Muitas pessoas bem-intencionadas, realmente dispostas a ajudar, costumam contar histórias muito tristes e até mesmo trágicas que ocorreram em sua vida com o intuito de mostrar que existem dores maiores no mundo e desta forma minimizar o sofrimento de quem chora ou simplesmente está prostrado, sem vontade de nada.

O problema é que quando a pessoa está muito mal, no fundo do poço, normalmente ela não deseja ouvir relatos tristes. Ao ouvir mais dramas, ela possivelmente vai continuar sofrendo por causa do problema dela, por causa do relato trágico e somado às duas tristezas entrará um terrível componente na mistura cáustica: o sentimento de culpa. Ela provavelmente também vai sofrer por se culpar. Vai se culpar por sofrer tanto sabendo que existem dores maiores.

Cada pessoa é única, um universo complexo, cheio de particularidades e maneiras próprias de se expressar e viver as crises e se recuperar delas. Talvez, algumas pessoas se sintam realmente melhores , com a dor apaziguada, ao ouvirem relatos tristes. Mas normalmente esta prática só gera sentimento de culpa, mais sofrimento e algumas vezes até certa irritação pois quem quer ser consolado, não deseja receber uma lição de moral no auge da dor.

O sofrimento deveria ser vivenciado sem tantos tabus. Sofrer faz parte da vida depois de uma grande perda. Pular ou negar o luto é contrariar a complexidade da vida e enganar a si mesmo. A pior e mais nefasta mentira que podemos praticar.

Não, dor não se mede nem se compara. Dor se consola e e cura dia a dia, aos poucos, cada um no seu tempo e com os seus meios. Sair da dor é como buscar a saída de um labirinto e por mais que os entes queridos e amigos sejam essenciais no processo de recuperação, cabe a quem sofre fazer os seus caminhos.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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