cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O que o amor diz sobre nós mesmos

Algumas pessoas funcionam como uma espécie de espelho pelo qual podemos nos enxergar sem maquiagem. E no horror de um rosto demaquilado e sem disfarces ou subterfúgios, encontramos o que há de mais belo em nós, o que nos identifica como nós mesmos.


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Cena do filme "Um método perigoso"

Assistindo ao filme “Um método perigoso” de David Cronenberg, inspirado em parte da vida de Freud e Jung, entrei em contato com um conceito que já conhecia de forma instintiva. O amor nos desperta o nosso pior e o nosso melhor. O amor traz à tona o que existe de mais profundo e verdadeiro dentro de nós. Lá no fundo, quase tudo se resume à gente mesmo, ao nosso processo de autoconhecimento e autodescoberta, em que as outras pessoas funcionam como canais por onde as nossas emoções fluem.

Algumas pessoas trazem à tona o nosso pior. Outras, o nosso melhor. Existem aqueles que trazem tudo junto e misturado. Existem ainda os que não trazem nada. Estes últimos representam a maioria das pessoas.

Por tal motivo, talvez, costuma-se dizer que o tempo de duração de uma relação não importa tanto assim. Alguns relacionamentos que duram anos deixam poucas marcas ou nenhuma enquanto que encontros breves e brutais nos fazem aprender sobre a vida e sobre o nosso potencial em poucas semanas ou meses.

Algumas pessoas funcionam como uma espécie de espelho pelo qual podemos nos enxergar sem maquiagem. E no horror de um rosto demaquilado e sem disfarces ou subterfúgios, encontramos o que há de mais belo em nós, o que nos identifica como nós mesmos.

Talvez, por tal razão, ninguém consiga ser o mesmo depois de viver uma paixão avassaladora. Quando esbarramos com quem nos mostra a que viemos ao mundo, deixamos muitas máscaras para trás e passamos a nos ver com mais nitidez. Mas esta relação espelho não está restrita a amores eróticos. Podemos nos descobrir por meio das amizades, das relações familiares e nas profissionais também. Um bom exemplo de profunda relação espelho pode acontecer em sala de aula, entre alunos e professores.

Normalmente os professores mais queridos e que mais influenciam a vida dos seus alunos são aqueles que deixam os estudantes fluírem rumo a eles mesmos; são aqueles que funcionam como um canal plácido por onde os alunos atravessam o mais longo caminho que existe: a descoberta e o exercício da própria subjetividade.

Sim, caro leitor. Lá no fundo é tudo uma relação com a gente mesmo. E talvez mais importante do que aquilo que deixamos para os outros e os outros deixam para nós, é o que o outro permite que a gente traga à tona.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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