cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Senso comum tem limites

O senso comum tem o seu valor. O problema é quando ele assume a posição dianteira na linha de pensamento. Por ser pouco rigoroso, ele pode induzir a preconceitos, fórmulas fechadas demais ou até mesmo equivocadas. O senso comum em excesso pode fechar possibilidades e fazer negar aquilo que não é compreensível num primeiro momento. O senso comum pode limitar o pensamento e fechar o olhar. Toda e qualquer questão apresenta muitos ângulos e mentes criativas, curiosas, que combinam variadas formas de saber tendem a mergulhar mais fundo nos mistérios da vida, nas obscuridades da existência humana.


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Sabemos que existem quatro formas de entender o mundo: o senso comum, o teológico, o filosófico e o científico. A ciência virou o novo dogma do século XXI sendo encarada como a primordial ou única forma de saber. Porém, tem questões que a ciência provavelmente nunca vai explicar e a Teologia e a Filosofia continuarão ocupando o seu lugar no mundo.

A Ciência utiliza provas enquanto que a Teologia se baseia na fé. A Filosofia fica entre o empirismo científico e o dogmatismo teológico. A Filosofia se baseia no exercício da inteligência para deduzir o que não pode ser comprovado.

Historicamente falando, a Filosofia deu um passo rumo à ciência pois ao não se contentar com a fé pura e simples, abriu espaço para uma nova forma de compreender o mundo mais precisa. Temos também o senso comum, que seria uma espécie de primeiro tratamento da ciência, uma versão não sistematizada do pensamento científico. O senso comum também se baseia na experiência e vai passando de geração em geração. Mas como não utiliza métodos rigorosos pode levar a conclusões frágeis.

O senso comum tem o seu valor. O problema é quando ele assume a posição dianteira na linha de pensamento. Por ser pouco rigoroso, ele pode induzir a preconceitos, fórmulas fechadas demais ou até mesmo equivocadas. O senso comum em excesso pode fechar possibilidades e fazer negar aquilo que não é compreensível num primeiro momento. O senso comum pode limitar o pensamento e fechar o olhar. Toda e qualquer questão apresenta muitos ângulos e mentes criativas, curiosas, que combinam variadas formas de saber tendem a mergulhar mais fundo nos mistérios da vida, nas obscuridades da existência humana.

Quem carrega dentro da cabeça uma tabela com conceitos preestabelecidos e muito rigidamente solidificados tende a criar mais preconceitos e restringir as possibilidades da vida. Devemos evitar qualquer sistema de pensamento que feche a mente para novos olhares, outras leituras. Quem consegue ler as mensagens de forma inusitada, captando elementos sublimares, associando conteúdo e forma e decifrando informações em sentidos opostos, tende a ser alguém mais inteligente, mais interessante e mais apto a se enfronhar nos mais variados debates.

A truculência que encontramos atualmente em comentários da internet demonstra bem que o excesso de informações sem uma lapidação intelectual gera pessoas pseudo informadas, pseudo preparadas para discutir questões, trazer novos pontos de vista à tona ou simplesmente confirmar os antigos. A grande e constante exposição a tantos textos tanto verbais como visuais e sonoros cria a ilusão de que somos uma geração mais antenada e bem preparada para o pensamento. Informação em excesso sem intelecto desenvolvido é o mesmo que entregar uma arma carregada a alguém que está surtando.

Sim, senso comum é bom até certo ponto. Senso comum deixa de ser bom quando ele começa a trancar o sistema de pensamento e nos fazer reproduzir simplesmente o que nos foi passado pela tradição, mas sem conhecer as suas raízes.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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