cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

The Babadook e o lado B da maternidade

No filme The babadook, diferentemente de produções mais comerciais e previsíveis, mergulhamos num mundo de possibilidades inusitadas e nos deparamos com um tema tabu, que ao contrário de reforçar preconceitos e estereótipos, visa questioná-los.


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The babadook , produção australiana de 2014, é muito mais do que um filme de terror assustador. Diferentemente do cinema tradicional de terror e principalmente o de horror que se baseia em lugares comuns e preconceitos, The babadook mergulha no drama de uma mulher sem forças para amar o filho depois de ter perdido o marido.

Nas produções de horror estadunidenses como os famosos Sexta-feira 13 e Halloween, já sabemos logo de cara quem vai sobreviver ao psicopata deformado e facínora: a moça gentil que não transa. As que transam e adotam uma conduta mais descompromissada ( como se transar fosse sinônimo de ser irresponsável e insensível) morrem normalmente em situações eróticas, depois do ato sexual ou durante ou usando poucas roupas. A morte brutal surge como uma espécie de castigo para as moças que ousam transar numa sociedade puritana.

No filme The babadook, diferentemente de produções mais comerciais e previsíveis, mergulhamos num mundo de possibilidades inusitadas e nos deparamos com um tema tabu, que ao contrário de reforçar preconceitos e estereótipos, visa questioná-los.

Amelia, uma cuidadora em um asilo, não consegue superar a morte do marido que ocorreu no dia do nascimento de seu filho Samuel, um garoto super imaginativo, que teme monstros terríveis. O garoto cria armas para atacar o tal do monstro imaginário e apresenta comportamento agressivo na escola, fazendo com que ele seja expulso.

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A mãe tenta conciliar seu trabalho com Samuel, em uma vida bastante difícil e precária , tanto no âmbito material como emocional. O menino extremamente complicado e com imaginação fertilíssima não permite que a mãe durma, o que cria um desgaste emocional e físico em Amelia enlouquecedor.

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A mãe que tenta fazer o seu melhor mesmo sem forças para isso, começa a desenvolver um ódio profundo pelo filho, se assemelhando a um verdadeiro monstro. Ela joga na cara de Samuel que preferia que o filho tivesse morrido no lugar do marido. Esta frase é provavelmente mais aterrorizante do que qualquer monstro dentro do armário ou debaixo da cama.

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A imaginação e conduta do filho fazem o monstro que existe dentro da mãe sair do sono profundo e é neste sentido que o filme se torna realmente intenso e desafiador, ao por em xeque a organicidade do amor materno. Como todo filme de terror que se preze , a teoria de The babadook não aparece de forma intelectual simplesmente. É um filme altamente sinestésico, que mexe com nossas emoções de forma sofisticada e instigante, diferentemente de produções meramente catárticas que provocam reações exageradas, que se dissolvem por completo poucos momentos ou horas após terminar de ver o filme.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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