cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

15 filmes comerciais que são um show - parte 1

Sim, estes filmes são comerciais. Eles foram produzidos por grandes estúdios para dar dinheiro. Muito dinheiro. Eles não são intelectuais nem desafiam a gramática cinematográfica. Eles têm um ritmo ágil, cenas rápidas, atores atraentes , uma trilha sonora catártica e uma trama razoavelmente linear. Mas mesmo assim eles são grandes filmes. Impactantes, atemporais e realistas.


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Cena do filme ...E o vento levou

Vamos à lista?

1. ...E o vento levou, de Victor Fleming

Sim, foi Victor Fleming que assinou a direção de ...E o vento levou, mas em minha opinião, este clássico com C maiúsculo é muito mais cria de David O. Selznick, seu produtor e idealizador do projeto. Fleming foi o terceiro diretor do filme. George Cuckor , conhecido como um excelente diretor de mulheres, deve ter dado a sua contribuição para as três atrizes indicadas ao Oscar: Vivien Leigh como protagonista e Hattie McDaniel e Olivia de Havilland como coadjuvantes. Leigh e McDaniel levaram as estatuetas. Apesar da linearidade do filme e do seu estilo bem tradicional, ...E o vento levou não é um filme ingênuo. Apesar das cenas melodramáticas, ...E o vento levou vai muito além do melodrama ao mostrar uma protagonista de carne e osso que paga um preço muito alto por sua teimosia. Um filme que questiona a importância dos padrões sociais e a estupidez das guerras, ora admirando o ingênuo espírito patriótico dos sulistas, ora , ironizando com o mesmo. Um filme que permanece atual depois de 76 anos.

2. Doutor Jivago, de David Lean

David Lean foi um grande diretor de épicos. Ele levou para as telas diversos dramas históricos, entre eles, episódios em que apresenta a Inglaterra como vilã, sua terra natal. Seu estilo também é bastante tradicional e Lean não propôs grandes inovações estéticas em seus filmes. Porém, Doutor Jivago está muito longe de ser um filme bobinho ou simplesmente para passar o tempo. Baseado no romance russo de Boris Pasternak, vencedor do prêmio Nobel de Literatura e censurado na extinta União Soviética por apresentar de forma sutil, nas entrelinhas, críticas ao Socialismo, Doutor Jivago, além de ter um poderoso fundo histórico, apresenta um triângulo amoroso que se forma durante a Revolução Russa. O caos revolucionário torna os dramas particulares menores, uma espécie de metáfora do próprio Socialismo que foca mais na coletividade do que no privado.

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Cena do filme Doutor Jivago

3. Psicose, de Alfred Hitchcock

Considerado um dos mais assustadores e psicológicos filmes de terror, Psicose inspirou muitos filmes do gênero e também permanece atual. Apesar do filme ser em preto e branco e da produção sem glamour , Psicose foi um sucesso na época e é considerado muito bom até os dias de hoje. Muito mais do que um filme sobre a psicose, o clássico de Hitchcock é um lembrete amargo das relações nem sempre fáceis entre mães e filhos e como por detrás de um gesto insano de violência pode se esconder um desejo sexual brutal reprimido. Muito mais do que sobre transtornos mentais, Psicose é um filme sobre sexo, sobre o desejo que é impedido de vir à tona.

4. Um corpo que cai, de Alfred Hitchcock

Há muitos anos, li uma crítica que considerava Um corpo que cai o mais romântico dos filmes que não era classificado como romance. Sim, Um corpo que cai é extremamente sedutor e melancólico. É um filme principalmente obsessivo. É estabelecido um paralelo entre a circularidade do desejo amoroso e a circularidade dos traumas e obsessões humanas.

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Kim Novak Como Madeleine em Um corpo que cai

5. O mágico de Oz, Victor Fleming

O mágico de Oz é outro clássico com C maiúsculo assinado por Fleming no mesmo ano em que foi lançado ...E o vento levou ( 1939). Com uma trama altamente metafórica, este filme nos enreda em uma deliciosa reflexão sobre tudo aquilo que mais desejamos e buscamos fora de nós, sem perceber, que tudo aquilo que mais precisamos e perseguimos está dentro de nós mesmos.

6. Chicago, de Bill Condon

Malicioso, irônico e sexy musical sobre a busca desenfreada pelo sucesso a qualquer preço. Com personagens niilistas, o filme analisa os limites tênues entre a verdade e a mentira e como uma mentira bem contada pode soar como mais verdadeira do que a verdade.

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Catherine Zeta-Jones como a petulante Velma em Chicago, inspiração para a protagonista , Roxie, vivida por Réene Zellweger

7. O turista acidental, de Lawrence Kasdan

Apesar da trama aparentemente simples e linear, O turista acidental é um mergulho filosófico na alma e existência humana. O filme estabelece um paralelo entre um viajante contrariado ou acidental com alguém que se sente um estranho no mundo, um estrangeiro da raça humana.

8. Thelma e Louise, de Ridley Scott

Apesar dos aspectos hollywoodianos do filme , como as duas protagonistas atirarem super bem sem um bom treinamento prévio, Thelma e Louise coloca o dedo fundo em feridas bem importantes. Além do evidente viés feminista, o filme põe em xeque a própria imprevisibilidade da vida.

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Cena de Thelma e Louise

9. A corrente do bem, de Mimi Leder

Filme extremamente realista e amargo sobre um menino muito sensível e inteligente , filho de uma alcoólatra. Desafiado por um trabalho escolar ele inventa a corrente do bem, um movimento que visa ajudar a primeira pessoa que aparecer no nosso caminho, independente de ela merecer ou não. Uma apologia ao humanismo sem cair nas armadilhas do happy end ou da glamourização dos personagens.

10. Perfume de mulher, de Martin Brest

Belíssimo filme sobre um militar cego e reformado que recupera a fé nas pessoas ao conhecer um estudante que apesar de pobre, não se vende. Uma obra magistral sobre a amizade , a recuperação da fé na vida e a palpitante necessidade de amor.

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Cena do filme Perfume de mulher

11. Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore

Vencedor do Oscar de melhor obra em língua estrangeira, Cinema Paradiso é uma declaração de amor rasgada aos apaixonados pela sétima arte, além de revelar a dureza daqueles que por falta de oportunidades são condenados ao ostracismo.

12. Fim de caso, de Neil Jordan

Baseado no romance de Graham Greene, Fim de caso mergulha no amour-fou e nos mistérios da fé. Sarah, uma ateia, passa a acreditar em Deus depois que vê seu amante morto e clama por um milagre. O preço a pagar caso ele voltasse a viver seria abandoná-lo para sempre. Um filme extremamente sensível, angustiante e suavemente erótico.

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Cena do filme Fim de caso

13. E.T, o extraterrestre, de Steven Spielberg

Um filme aparentemente fantasioso e onírico que nos conduz à algumas belas verdades como a força das amizades e a espontaneidade infantil que faz as crianças verem o mundo sob um viés muito mais criativo, generoso e inovador.

14. O poderoso chefão, de Francis Ford Coppola

Uma visão poética da máfia , apesar do excesso de cenas violentas. Um mergulho no âmago do sentimento familiar quase obsessivo existente na formação desta instituição criminosa. Mais do que isso. A força do sangue. O personagem vivido por Al Pacino se torna tudo aquilo que ele sempre odiou na família, com muito mais contundência do que os seus.

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Cena do filme O poderoso chefão

15. Scarface, de Brian De Palma

Scarface não chega a ser poético como O poderoso chefão, mas propõe uma reflexão interessante ao questionar o vazio do status , do dinheiro e do poder diante de uma vida desprovida de valores mais refinados no sentido moral da palavra.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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