cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dez filmes para quem não tem preguiça de pensar- parte 20

A vigésima parte da nossa lista apresenta títulos bem alegóricos! Um bom exercício para quem gosta de ver além do óbvio. Enjoy!


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Cena do filme Ana e os lobos

Chegamos à vigésima parte da nossa lista! Parte 20 me fez lembrar de Halloween 20. Mas se acalmem, se acalmem. Esta lista não traz títulos assustadores. Pelo menos não no sentido stricto da palavra. Por assustador podemos entender uma infinidade de coisas...

1. Ana e os lobos, de Carlos Saura

Ana e o lobos pode ser considerada a primeira parte do filme Mamãe faz cem anos. Rodado durante o franquismo, este filme altamente alegórico faz um retrato cruel da Espanha por meio de uma jovem governanta que seduz três irmãos. Cada um deles representa um dos pilares da sociedade franquista: a família, portanto o sexo reprimido; a Igreja e o governo.

2. A moça com a valise, de Valerio Zurlini

Zurlini dizia que felicidade não dá boa história. Concordo. Claudia Cardinale estrela neste filme ao lado de Jacques Perrin na adolescência. Para quem não sabe, Jacques Perrin atuou no catártico e sensibilíssimo Cinema Paradiso. Ele fez Totó na fase adulta. A moça com a valise narra a desafortunada trajetória de uma moça que concilia muito bem uma vida meio azarada com péssimas escolhas. Ela é uma sedutora ingênua que acaba despertando a paixão de um garoto. O filme apresenta o típico tom melancólico de Zurlini.

3. Trinta anos esta noite, de Louis Malle

O diretor dos temas tabu mergulha na questão do suicídio neste filme extremamente hermético e angustiante sobre um homem que já está cansado demais aos trinta anos de idade.

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Cena do filme A moça com a valise

4. Senso: a sedução da carne , de Luchino Visconti

Senso é um daqueles filmes grandiosos e metafóricos que utilizam do amor e do sexo para falar sobre História e Política. Ambientado na época da Unificação italiana, Senso mostra o romance entre uma condessa nacionalista com um militar austríaco, revelando dramas políticos por meio do íntimo e do privado.

5. Nazarín, de Luis Buñuel

Buñuel mais uma vez critica a caridade cristã por meio de Nazarín, um padre bondoso que apenas sofre e é injustiçado por conta das cruéis regras sociais e da hipocrisia da Igreja como instituição. Um padre conservador e pouco piedoso considera Nazarín um padre menor. Neste filme, Buñuel diferencia bem a Igreja instituição da Igreja pé no chão, aquela que realmente se importa com as pessoas. Nazarín é um ícone desta Igreja verdadeira e piedosa, mas que é esmagada pela institucional.

6. A mosca, de David Cronenberg

Aparentemente um filme comercial , bizarro e asqueroso, esta obra underground é uma releitura do célebre livro A metamorfose de Franz Kafka, em que nos deparamos com o nosso lado mais animal e primitivo.

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Cena do filme Senso

7. Sonhos, de Akira Kurosawa

Sonhos como o próprio nome diz foi elaborado a partir dos sonhos do diretor Akira Kurosawa e é dividido em oito episódios, que apesar de independentes apresentam temas em comum como o amor, a guerra, as tradições, a morte etc num tom altamente filosófico e intimista. Um filme com linguagem verdadeiramente cinematográfica pois se baseia muito mais nas imagens do que nos diálogos.

8. Primavera, verão, outono, inverno ...e primavera , de Kim Ki-Duk

Este hermético e metafórico filme sul-coreano mostra por meio das estações do ano as fases da vida de um menino criado por um monge budista num lugar ermo e paradisíaco. Um filme sobre o amor, a maturidade, a espiritualidade e nossos valores essenciais.

9. EduKators, de Hans Weingartner

Este reflexivo e engajado filme alemão discute por meio de jovens rebeldes e irreverentes a necessidade de analisarmos os materialistas e cruéis valores da sociedade de consumo.

10. Matador , de Pedro Almodóvar

Por meio de uma trama aparentemente simples, Almodóvar faz um belo e passional retrato do ser e amar e do amar espanhol por meio do romance entre um ex toureador que transforma a alcova em arena com uma bela advogada que assassina seus amantes ocasionais como touros. O filme causou muita polêmica na época, dividindo críticos porque muitos consideraram falta de respeito do cineasta relacionar um dos mais importantes ícones da cultura espanhola com um assassino de mulheres.

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Cena do filme Matador

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Cena do filme Sonhos


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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