cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Dez filmes para quem não tem preguiça de pensar- parte 10

Você deve estar imaginando que esta será a última parte da série sobre filmes, pois 100 é um número bem redondo e cheira àquelas listas de jornais ou revistas famosas sobre os 100 filmes mais assustadores de todos os tempos, ou os 100 filmes que renderam maiores bilheterias, etc. Não! As listas continuarão! Não sei até quando, mas continuarão enquanto houver leitores inflamados e sedentos por filmes para quem não tem preguiça de pensar.


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Cena do filme Miss Julie

Confesso que a cada comentário que recebo, me sinto menos sozinha neste mundão pasteurizado em que vivemos. Mas vamos a mais dez filmes? Pequenas e brilhantes joias em estado cinematográfico?

1. Miss Julie, de Liv Ullmann

Miss Julie foi baseada na peça teatral homônima de August Strindberg e revela os abismos existentes entre as classes sociais no final do século 19. Porém, tais abismos não impedem o encontro sexual entre uma rica e confusa aristocrata com seu esnobe mordomo. Ullmann imita o estilo de Bergman, mas com menos sutileza. Mas, de qualquer forma, é um filme consistente e muito estético.

2. Gritos e sussurros, de Ingmar Bergman

Falando em Bergman e em Liv Ullmann, Gritos e sussurros é um filme sofisticadíssimo tanto no aspecto estético quanto no sentido filosófico. Bergman disseca os frágeis laços familiares por meio de três irmãs e a empregada da casa que cuida apaixonadamente da irmã adoecida e à beira da morte.

3. A estrada, de Fellini

Em A estrada , Fellini ainda não havia alcançado o âmago da sua estética e este dilacerante filme ainda carrega marcas do Neo Realismo italiano. Uma obra social e filosófica ao mesmo tempo, em que a tragédia humaniza um homem bruto, quase um animal.

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Cena do filme A estrada

4. A suprema felicidade, de Arnaldo Jabor

Com um estilo bem felliano, Jabor desenvolve um filme filosófico em que a narrativa fica em segundo plano, dando o proscênio para a pergunta que não quer calar: o que é esta tal da suprema felicidade?

5. Veludo azul, de David Lynch

Perturbador e onírico filme sobre os estranho mecanismos do desejo e o prazer por meio da dor. O filme se assemelha a um pesadelo, traço típico da estética de Lynch.

6. O palhaço, de Selton Mello

Outro filme brasileiro com estilo felliano, que utiliza o circo como metáfora para filosofar sobre a vida e a existência humana. Mais importante do que a narrativa em si, são as reflexões que o filme sugere.

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Cena do filme O palhaço

7. A mulher e o atirador de facas, de Patrice Leconte

Romântico e existencialista filme sobre o encontro redentor entre duas personalidades trágicas. Poesia na veia!

8. Os amantes da Pont-Neuf, de Leo Carax

Intenso filme sobre o amor fou entre dois moradores de rua: uma pintora quase cega e desesperada e um homem que vive nas ruas há muito tempo. Um filme extremamente brutal e poético simultaneamente.

9. Quem tem medo de Virginia Woolf? , de Mike Nichols

Baseado na peça homônima de Edward Albee, Quem tem medo de Virginia Woolf mergulha na histérica e insana dinâmica de um casal que se ama e que se odeia em medidas iguais. A atuação de Elizabeth Taylor merece destaque.

10. O deserto vermelho, de Antonioni

A linguagem de Antonioni pode ser bem indigesta, mas por outro lado, é uma verdadeira aula sobre o tédio da vida. Filosofia na veia com uma riqueza de detalhes impressionante.

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Cena do filme Quem tem medo de Virgina Woolf?

Hasta la vista, baby!


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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