cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Amor não é gratidão

Namoro e casamento não são obras de caridade. Beijar , abraçar , tocar alguém não é o mesmo que distribuir sopa para os mendigos numa noite fria. Construir uma relação com alguém não é o mesmo que prestar um serviço voluntário em uma ONG. Conviver com alguém simplesmente porque a pessoa foi gentil e te apoiou num momento difícil é uma ambição afetiva raquítica.


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Antes que eu seja crucificada ou apedrejada , afirmo que a amizade é essencial num relacionamento amoroso. Não dá para dormir com o inimigo, né?

Por outro lado ser somente amigo não basta. Por outro lado, ficar com alguém porque se sente grato a uma pessoa pode ser uma falha bem grave. Infelizmente , já pertenci a esta categoria que junta os cacos masculinos , dá lustro, deixa tudo bem organizadinho para depois levar um tchau do nada. Sim, alguns homens precisam de mulheres submissas , que tudo aceitam para reconstruí-los. E depois , de prontinhos, procuram aquelas que realmente os interessam.

Sim, precisamos ser amigos , confidentes , companheiros de nosso parceiro/parceira. Mas precisamos ser cúmplices também. Precisamos ter afinidades intelectuais e de pele. Precisamos gostar dos mesmos assuntos. Precisamos gostar do cheiro...e não me refiro ao hidratante corporal ou à loção pós barba...

Precisamos nos entender com um simples olhar , dizer tudo com um sorriso, amar pelo avesso, dispensar explicações excessivas. É preciso ficar junto sem sentir o tempo passar.

Namoro e casamento não são obras de caridade. Beijar , abraçar , tocar alguém não é o mesmo que distribuir sopa para os mendigos numa noite fria. Construir uma relação com alguém não é o mesmo que prestar um serviço voluntário em uma ONG. Conviver com alguém simplesmente porque a pessoa foi gentil e te apoiou num momento difícil é uma ambição afetiva raquítica.

Já fui adepta deste pensamento e o admito hoje com um pouco de constrangimento. Achava que o meu jeito doce poderia resolver tudo. Mas não resolve. Hoje me parece bobo achar que alguém deve nos amar porque somos "bonzinhos".


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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