cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Sou Professora Doutora em Comunicação e Semiótica , escritora e psicanalista lacaniana. Idealizadora do curso de Pós-graduação em Cinema do Complexo FMU e indicada ao Prêmio Jabuti em 2013. Autora do blog Garota desbocada. Meu canal no You Tube é Sílvia Marques Garota desbocada.

Breaking Bad e o Super Homem de Nietzsche

Muito mais do que o dinheiro, o poder o seduz. Ser alguém o seduz. Deixando moralismos à parte , quem não gostaria de se destacar no mundo? Quem não gostaria de deixar a sua marca?


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Breaking Bad é uma série empolgante, envolvente. Não digo que é o meu tipo favorito de série. Mas enfim...ela prende realmente a atenção e trabalha uma questão de vital e suma importância: não queremos ser merdas no mundo. É isso mesmo.

Passar pela vida , só perdendo, sendo explorado, humilhado, ironizado é tarefa inglória. Me faz lembrar do tema de abertura da novela Que rei sou eu?

Em resumo: muito mais do que juntar dinheiro para garantir um futuro economicamente seguro para a família , o personagem protagonista se apaixona pela ideia de se tornar um fodão, um cara forte, temido, poderoso.

Muito mais do que o dinheiro, o poder o seduz. Ser alguém o seduz. Deixando moralismos à parte , quem não gostaria de se destacar no mundo? Quem não gostaria de deixar a sua marca?

Breaking Bad , talvez , tenha como mensagem central o quanto é insuportável sermos perdedores e obscuros no mundo. A ambição desenfreada do protagonista pode nos remeter a uma distorção do pensamento de Nietzsche, que aboliu a ideia de Deus e a substituiu pela ideia de um Super Homem. Mas o Super Homem de Nietzsche não usa uma roupinha colante nem sai voando com uma capa para salvar o mundo: uma versão ficcional de um salvador religioso. O Super Homem de Nietzsche é aquele que vive plenamente a sua potência.

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Infelizmente , a maioria das produções que envolvem temas ligados às drogas , à violência e ao sexo são mal compreendidas pois a maioria enxerga apenas aquilo que está diante dos olhos e é concreto.

Basta pensarmos no frenético cinema de Tarantino para respaldarmos tal teoria...basta pensarmos , por exemplo, no fantástico Efeito borboleta , que pode ser encarado por muitos como um simples e violento filme de ficção científica. Já escrevi sobre este filme na Obvious.

Muito mais do que ficção, Efeito borboleta fala sobre a dificuldade de corrigirmos nossos erros e como cada pequena ação afeta a terceiros. Vou além. Mostra que muitas vezes para a maioria ficar bem e contente , o amor precisa ser sacrificado.


Sílvia Marques

Sou Professora Doutora em Comunicação e Semiótica , escritora e psicanalista lacaniana. Idealizadora do curso de Pós-graduação em Cinema do Complexo FMU e indicada ao Prêmio Jabuti em 2013. Autora do blog Garota desbocada. Meu canal no You Tube é Sílvia Marques Garota desbocada. .
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