cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O amante de Marguerite Duras e a melancolia lânguida do amor romântico

O romance escrito por Duras e transformado em filme por Jean-Jacques Annaud tem como estética o erotismo profundo, explícito de forma melancólica e sensual simultaneamente. É um filme bastante sensorial. Na garçonnière do amante chinês , quase podemos sentir o calor abafado das tardes em que passam juntos e o cheiro de comida feita na rua. A iluminação intimista e as interpretações contidas nos remetem a um mundo de visceral erotismo, sem a crueza de filmes unicamente sexuais e sem a ingenuidade de filmes otimistas sobre o amor.


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A famosa escritora francesa Marguerite Duras, nascida no ano de 1914 e considerada uma das mais importantes vozes femininas do século XX, narra no seu romance "O amante" uma experiência seminal da sua vida quando tinha apenas quinze anos e meio de idade. Quando adolescente se envolveu sexualmente e afetivamente com um homem chinês de 32 anos, extremamente rico. O cenário do romance foi Saigon, chamada atualmente Ho Chi Minh , na antiga Indochina, atualmente Vietnã.

Ambos se conhecem na balsa e ele de dentro do seu carro com motorista, vestindo um impecável terno branco se encanta imediatamente pela garota francesa com sapatos de festa gastos e um chapéu masculino que lhe confere uma excentricidade interessante. A própria Marguerite se definia e se destacava internamente por seu chapéu. Ele lhe oferece uma carona até o pensionato e ela aceita.

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O amor de ambos foi marcado desde o começo por uma série de preconceitos. Mesmo sendo Marguerite filha de uma família desajustada e pobre , sentia-se superior ao seu amante por ser branca. Ele, por sua vez, não poderia se casar com uma jovem branca pobre que havia perdido a virgindade antes do casamento. Para ele estava destinado há muitos anos uma mulher chinesa de grande fortuna, que ele nunca havia visto.

No bairro chinês , entre burburinhos e odores fortes, a jovem Marguerite descobre com seu amante as potencialidades de seu corpo e talvez para defender-se do sofrimento da inevitável perda , finge para ela mesma e para o amante que está com ele apenas pelo prazer e pelo dinheiro, o que o fere mortalmente pois ele está perdidamente apaixonado por ela e não esconde tal realidade.

Esta experiência marcante rendeu mais de um livro à Marguerite Duras e seu rico amante chinês a procurou depois de muitos anos pelo telefone para dizer-lhe que nada havia mudado para ele em relação a ela, que ele ainda a amava e a amaria até a morte.

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O romance escrito por Duras e transformado em filme por Jean-Jacques Annaud tem como estética o erotismo profundo, explícito de forma melancólica e sensual simultaneamente. É um filme bastante sensorial. Na garçonnière do amante chinês , quase podemos sentir o calor abafado das tardes em que passam juntos e o cheiro de comida feita na rua. A iluminação intimista e as interpretações contidas nos remetem a um mundo de visceral erotismo, sem a crueza de filmes unicamente sexuais e sem a ingenuidade de filmes otimistas sobre o amor.

O filme ainda conta com a narração de Jeanne Moreau como a idosa Marguerite , mergulhada de forma sóbria e apaixonada simultaneamente , em suas lembranças juvenis que ainda continuam presentes, que nunca se tornaram passado. Ela tenta elucidar para ela mesma e para quem a ouve tudo aquilo que ela sentiu sem se dar conta. A jovem Marguerite amara o rico homem chinês, muito mais e intensamente do que ela fora capaz de admitir no curto tempo do romance de ambos.

A reconstrução do amor de ambos por meio da narração intimista de uma Marguerite mais velha e consciente, empresta ao filme um tom poético, conservando algo da estrutura literária. Um filme passional sem ser hiperbólico. Um filme romântico sem ser piegas. Um filme erótico sem ser vulgar. Um enlace perfeito entre a plasticidade do cinema e a eloquência da literatura.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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