cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O louco e a arte: a verdade é pronunciada sem tabus pelos desajustados

Sim, tanto no cinema como na literatura e na vida real, são os "loucos" ( sintam a ironia amarga das aspas) que podem chegar perto da verdade , se é que ela existe de fato.


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Cena do filme Foi apenas um sonho

"Ser doido significa...viver a vida como se ela importasse, então eu não me importo se somos completamente insanos" ( Foi apenas um sonho)

Sim, tanto no cinema como na literatura e na vida real, são os "loucos" ( sintam a ironia amarga das aspas) que podem chegar perto da verdade , se é que ela existe de fato.

No filme "Foi apenas um sonho" ( "Revolutionary road") baseado no romance homônimo de Richard Yates , o personagem do doutor em Matemática , completamente louco pela sociedade, diz à April e a Jack as maiores e mais violentas verdades. Todos acham o sonho de viver em Paris do casal protagonista uma fantasia infantil. April deve se sentir muito feliz como uma dona de casa suburbana e Jack deve dar pulos de alegria pela promoção na enfadonha empresa onde trabalha.

Apenas John Givings consegue ver que o sonho de Paris é plausível e faz sentido. Apenas o "louco" percebe que April precisa de luz, de movimento. Apenas ele percebe que o charmoso casal está preso numa armadilha do politicamente correto. E que ter uma vida bonitinha e perfeita não basta para eles, principalmente para April que é muito mais lúcida do que Jack.

No filme "Clamor do sexo" , de Elia Kazan, a lucidez sincera e despudorada surge por meio da personagem da irmã de Bud, Ginny, vivida por Barbara Loden. No final dos anos 1920, ela bebe, fuma , se maquia muito, tinge os cabelos com uma cor extravagante , transa e fez um aborto. Mas ela é a única que diz algo lúcido ao irmão Bud, interpretado por Warren Beatty. Ela diz que se ele aceitasse as ordens do pai , ele estragaria a sua vida. Dito e feito.

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Artificial foto em família. A irreverente Ginny destoa com sua piteira.

No filme "Nostalgia" de Andrei Tartovski, é também um homem considerado louco por todos, que ateia fogo no próprio corpo, quem chega mais perto de uma possível verdade.

No filme "A filha de Ryan" de David Lean, o manco , mudo e mentalmente limitado Michael, percebe antes de todos o romance entre a romântica e iludida Rose com o major inglês. É ele também que percebe o quanto é profunda e vital a conexão existente entre os amantes.

Randle, protagonista de "Um estranho no ninho", interpretado pelo magistral Jack Nicholson, quebra a ordem estabelecida no hospício. Enfim, a lucidez é levada por um desajustado social.

O personagem protagonista do filme "Um dia de fúria, vivido por Michael Douglas, num dia limite , começa a promover uma verdadeira chacina. Por outro lado, toda a sua revolta tem um forte fundamento pois ele enxerga com clareza toda uma rede de abusos na qual nós vivemos.

Na vida real as pessoas aparentemente mais absurdas e patéticas podem olhar nos nossos olhos e ver determinadas verdades pesadas e duras demais para quem não deseja desorganizar a rotina. Não é à toa que grandes artistas tiveram vidas perturbadas, desesperadas, cheias de um sofrimento intenso.

Talvez, por isso, a maioria prefira viver na superfície das emoções, acreditando em "verdades" bonitinhas. Ser louco é para poucos. É para os fortes, amorosos e corajosos.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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