cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Calma moça, um dia teu coração esquece de doer

Algumas pessoas se desesperam e pulam na primeira cama que encontram pelo caminho. A nossa sociedade imediatista não aceita o sofrimento. Não aceita a dor do luto. Sim, quando perdemos um amor, passamos por um luto. O luto da relação. E como diria o escritor Caio Fernando Abreu, é muito doloroso saber que aquela pessoa íntima morreu apenas para nós e continua viva para o mundo.


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Uma vez, uma pessoa me disse que quando estamos sofrendo por amor , a nossa visão fica embaçada. A gente não consegue ver as coisas como elas são. Concordo. Perdemos o senso de proporção. A gente perde o senso de futuro. A gente olha para a frente e não consegue visualizar nada além da dor. Confundimos uma fase triste e sombria com toda a nossa vida. É como se a tristeza nunca fosse passar e a gente nunca mais fosse conseguir sorrir com os olhos. Sorrisos com os lábios podem ser forçados. Com os olhos, nunca.

Quem sofre, tem pressa. Quem sofre, quer melhorar num piscar de olhos. Quer se apossar de uma fórmula mágica que arranque do peito a dor intolerável da perda e da saudade.

Algumas pessoas se desesperam e pulam na primeira cama que encontram pelo caminho. A nossa sociedade imediatista não aceita o sofrimento. Não aceita a dor do luto. Sim, quando perdemos um amor, passamos por um luto. O luto da relação. E como diria o escritor Caio Fernando Abreu, é muito doloroso saber que aquela pessoa íntima morreu apenas para nós e continua viva para o mundo.

Diferentemente do que o senso comum imagina, é saudável sim ficar um tempo de molho depois que uma relação termina. Ninguém é obrigado a se sentir super bem depois de um rompimento e sair correndo para uma balada ou aceitar a primeira cantada meia boca que recebe. Quando uma mulher está fragilizada, sempre aparecerão muitos homens tentando "consolá-la". Uma mulher que sofre por amor é uma presa fácil para diversos tipos oportunistas.

Diferentemente do que o senso comum imagina, quando a gente dá um tempo entre uma relação e outra , entramos mais inteiros em novos relacionamentos. Quando a gente força a barra, ignora uma dor e mente para nós mesmos, mais cedo ou mais tarde, o sofrimento virá à tona com muita violência.

Existem muitas formas de sublimar a dor de uma perda que não envolvem sexo e namoro. Muita gente se refaz por meio de passeios, estudos, conversas com amigos, trabalhos voluntários, novos projetos profissionais, terapia etc O período entre uma relação e outra é um tempo rico e precioso para nos reconectarmos com a gente mesmo, redescobrindo prazeres, trazendo à tona pessoas e situações que ficaram meio esquecidas na fase em que estávamos acompanhados. Um período sozinho pode ser uma grande oportunidade de autoconhecimento e reciclagem emocional.

Se estar sozinho tem as suas desvantagens e lado triste, tem também um lado muito interessante e positivo para quem sabe aproveitá-lo. Como afirma o ditado popular: "Quem tem pressa come cru". Enfim, quem não respeita o tempo do luto, tenderá a entrar em uma série de relacionamentos fadados ao fracasso porque não conseguimos estabelecer vínculos sólidos e verdadeiros quando o nosso coração ainda está ocupado. Ocupado pelo amor à outra pessoa ou pela mágoa.

Calma moça. Um dia teu coração se esquece de doer. Este processo é lento e cheio de idas e vindas. Não se desespere. Não existem atalhos nem receitas mágicas. O que existe é muita perseverança.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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