cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Esta falta de encantamento que nos consome...

Está faltando encantamento no mundo. Está faltando capacidade de se deslumbrar com a beleza alheia. E quando uso o termo beleza , não estou falando de beleza física estritamente. Estou falando sobre todo e qualquer tipo de beleza e fascínio que o outro pode despertar.


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Infelizmente , estamos vivendo a Era do não gosto, do não quero, do não concordo. Muitas pessoas gastam mais tempo criticando aquilo que as desagradam do que elogiando aquilo que as agradam. E entende-se por crítica no contexto deste artigo , um jorro azedo de insultos salpicados de ironia grosseira ou agressão nua e crua mesmo.

Sinto uma grande irritação em relação ao mérito alheio. Um texto em especial me inspirou a escrever este post. Um lindo e poético artigo sobre a sensibilidade dos artistas, este quê a mais que ainda não conseguimos definir nem explicar. Pessoas que escrevem bem e produzem bons livros são muitas. Mas concordo com o autor que nem todo mundo é capaz de escrever um romance com o peso literário e psicológico de Crime e castigo, mesmo que trabalhe duramente.

Os comentários vieram cheios de ressentimento. Teve gente que afirmou que para escrever uma obra atemporal basta querer. As palavras não eram exatamente essas. Mudei rapidamente de página. Não quis estragar meu final de domingo...piadas à parte RS Só faltou mesmo ler que muita gente não escreve um romance como Crime e castigo porque não está a fim.

Está faltando encantamento no mundo. Está faltando capacidade de se deslumbrar com a beleza alheia. E quando uso o termo beleza , não estou falando de beleza física estritamente. Estou falando sobre todo e qualquer tipo de beleza e fascínio que o outro pode despertar.

Talvez, seja em parte , esta nossa cultura imediatista e publicitária, que mesmo inconscientemente e de forma inconsistente , nos faça crer que tudo está ao alcance de um clique. Basta ter um cartão de crédito para se realizar sonhos, para ser o que se deseja.

Sim, podemos nos vestir com as roupas da moda, usar o corte de cabelo da moda, fazer a dieta da moda, ver os programas da moda , ir à balada da moda, ler os livros da moda...mas existem coisas que nunca seremos ou viveremos mesmo querendo muito. Não seremos grandes artistas nem teremos uma sensibilidade insuportável porque assim o desejamos. Não conheceremos nem viveremos o amor em todo seu horror e plenitude porque decidimos hoje que vamos nos apaixonar pela pessoa que a sociedade tachou como ideal.

Sim, podemos ler e estudar bastante e desta forma nos intelectualizar. Podemos sim construir uma relação de carinho e respeito com alguém que escolhemos racionalmente para a nossa vida. Mas ser um grande artista , viver um grande amor...ah...infelizmente não é para todos. E não adianta se ressentir. A gente pode optar por mudar de emprego, adotar uma dieta mais saudável, se livrar de um relacionamento doentio, fazer uma nova faculdade etc mas amar loucamente uma pessoa ou ser capaz de escrever um livro do porte de Crime e castigo não são questões de opção.

Sim, precisamos nos encantar, nos deslumbrar mais com o outro. A capacidade de se encantar com o outro também é um lindo dom, muito subestimado em nossa cultura dos "vencedores" e "perdedores". Somos todos um pouco vencedores e um pouco perdedores. Mais do que isso. Somos todos sobreviventes. E como diria Caetano Veloso na música 'O dom de iludir", "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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