cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Se joga!

Diante de um sofrimento gigantesco, paralisante, insuportável, sentimos um irresistível desejo de pararmos de desejar. Mas estamos condenados a desejar. E mesmo quando pensamos que não queremos mais desejar, já estamos desejando. Sartre disse que o ser humano estava condenado à liberdade. Acredito que estamos condenados ao desejo.


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Quando a gente leva muita porrada na cara, costumamos questionar se vale realmente a pena vivermos a vida intensamente, cheios de ímpeto e vontade de ultrapassar limites. Questionamos se vale realmente a pena sermos nós mesmos, inteiros, sem máscaras nem couraças, sem medo de amarmos e acreditarmos em nossos ideais.

Quando a gente se desaponta demais, a gente fica muito cansado e começa a acreditar que o mundo é como é que não adianta lutar nem recomeçar. Começamos a acreditar que o mundo é daqueles que mentem para si mesmos e para os outros, daqueles que desperdiçam a própria felicidade por orgulho e medo e ainda se sentem mais maduros por isso. Daqueles que criam confortáveis mentiras e julgam aqueles que se entregam às emoções, os atacando violentamente pois os passionais são um lembrete amargo de que a vida pode ser muito mais do que hábito e conveniência.

Mas não existe dor que dure para sempre e por piores que sejam as nossas perdas, a vida se renova e coisas novas surgem. Ou ainda , coisas que julgávamos perdidas ou esquecidas retornam numa embalagem atualizada. Emoções amortecidas voltam a vibrar e nos escombros da nossa intimidade, descobrimos uma luzinha fraca que vai se fortalecendo conforme caminhamos em sua direção.

Diante de um sofrimento gigantesco, paralisante, insuportável, sentimos um irresistível desejo de pararmos de desejar. Mas estamos condenados a desejar. E mesmo quando pensamos que não queremos mais desejar, já estamos desejando. Sartre disse que o ser humano estava condenado à liberdade. Acredito que estamos condenados ao desejo. Mesmo que seja o de desistir.

Chega um momento em que o cansaço e o desânimo também se cansam e é aí que um desejo qualquer ocupa o lugar do desejo de desistir. É aí que percebemos que vale a pena sim lutar e recomeçar. É aí que percebemos que os auto enganadores ocupam um grande espaço no mundo, mas no meio deles existem aqueles que querem construir existências autênticas também.

Por isso eu costumo dizer: Se joga! Não digo que o preço não seja alto. Não digo que as dores sejam amenas. Quem se joga, quebra a cara sim. Quem se joga, se machuca sim. E feio. Mas será que existe outro meio de viver a vida com um mínimo de sentido? Será que é possível construir uma existência digna de ser chamada de existência morrendo de medo o tempo todo? Se defendendo o tempo todo? Ou atacando o tempo todo como uma forma de defesa? Como uma forma de preservar a sua própria mentira? Acredito que apenas aqueles que se arriscam ao pior, podem obter o melhor.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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