cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Sim, tem feridas que nunca se fecham. E daí?

Tem certos traumas que até podem ser tratados, mas que, de alguma forma, em alguma medida, continuarão lá como uma cicatriz depois de uma cirurgia. Cicatrizes e traumas vão clareando com o tempo, mas não desaparecem, não deixam de existir. Apenas passam a compor aquilo que somos.


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Cena do filme A morte lhe cai bem. As personagens principais não aceitaram envelhecer

Sim, tem feridas que nunca se fecham. E daí? Entendemos claramente que no lugar de um dente perdido, não nascerá outro. O mesmo acontece quando se perde um braço ou uma perna num acidente. Precisamos aprender a usar próteses e seguir em frente.

Com a alma acontece processo semelhante , mas é muito mais complicado compreender porque as feridas e mutilações que sofremos emocionalmente não são visíveis. Não podemos tocá-las.

Tem certos traumas que até podem ser tratados , mas que de alguma forma , em alguma medida , continuarão lá como uma cicatriz depois de uma cirurgia. Cicatrizes e traumas vão clareando com o tempo, mas não desaparecem, não deixam de existir. Apenas passam a compor aquilo que somos. Sim, nossos traumas fazem parte da gente como nossas conquistas e alegrias. Como nossos talentos e qualidades positivas e negativas. Como as nossas lembranças.

Tudo o que guardamos dentro de nós ou esquecemos dizem muito a respeito do que somos. Esquecer nem sempre significa esquecer realmente. Às vezes uma lembrança é tão dolorosa, que de alguma forma, o nosso cérebro a embaça para que possamos seguir em frente com as nossas muletas invisíveis.

Na Era da autoajuda e do pensamento positivo, criamos a ilusão de que tudo pode ser resolvido, superado, curado. Infelizmente nem tudo pode ser resolvido, superado e curado. Viver é acumular traumas e cicatrizes. E seguir em frente apesar delas.

Tem relações que nunca vão se resolver, mesmo com muito diálogo. Quando apertamos ou apertam em nós determinadas teclas quebradas, não existe como voltar atrás. Quando o outro, mesmo sem querer, ativa em nós lembranças muito pesadas ou toca desajeitadamente na nossa ferida mortal, raramente algo pode consertar o que se quebrou.

Como diria o escritor Ivan Turgueniev, " São muitas vezes coisas bem insignificantes que causam a nossa perda definitiva e irremediável".

Mas o que quero dizer com tudo isso? Que devemos nos fechar num quarto escuro e chorar pelo resto da vida? Não. Muito pelo contrário. Quero dizer que não precisamos dar conta de tudo, não precisamos resolver , consertar tudo. Algumas coisas se quebram mesmo e não adianta passar a vida toda lamentando ou tentando colar os cacos.

A gente não precisa ser forte e bem resolvido o tempo todo. A gente não precisa esquecer nem perdoar tudo. A gente não precisa provar a ninguém nem a nós mesmos de que somos melhores do que realmente somos.

Se uma pessoa te faz mal, se afaste. Se uma pessoa te ativa lembranças doloridas, não tente consertar a situação. Siga em frente. Às vezes, precisamos lutar. Às vezes, precisamos aceitar.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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