cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Sobre a arte de recomeçar

Recomeçar não é fácil porque dá uma preguiça danada. Sonhamos com a estabilidade. Quem não quer o seu lugar aconchegante e confortável no mundo? Mas a necessidade de recomeçar , muitas vezes, surge de forma imperiosa e temos apenas dois caminhos a seguir: recomeçar ou se deixar destruir pelas circunstâncias.


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Cena do filme O casamento de Muriel

Escolhi uma cena de O casamento de Muriel para abrir o meu artigo pois considero este filme muito mais denso do que as comédias românticas de um modo geral. Muriel busca se auto afirmar por meio de um noivo e no final das contas, ela descobre que ela precisa ser alguém por ela mesma. Um filme doloroso em alguns momentos, mas profundamente libertador.

Hoje , escrevo sobre um tema o qual sou PHD: a arte de recomeçar. Durante toda a vida , passamos por muitos acontecimentos que nos induzem à profundas reflexões e à mudanças de atitude. Por alguma ou algumas razões que desconheço ou não conheço por completo ou com suficiente profundidade, alguns caminhos de vida são mais lineares do que outros. Algumas pessoas passam por menos sobressaltos e a arte de recomeçar não se faz tão necessária.

Para outros , recomeçar é quase palavra de ordem. Tem pessoas que passam a vida recomeçando, se reinventando para sobreviver a um mundo no qual elas não se adequam.

As pessoas com mais dificuldade para encontrarem seu lugar no mundo, quase sempre, são as mesmas que desenvolvem e aprimoram mais o senso de criatividade. E quando uso a palavra criatividade, não me refiro exclusivamente às pessoas que escrevem livros, pintam quadros , dançam, fazem cinema , teatro etc. Falo de um tipo de criatividade relacionado à auto reinvenção.

Sim, muitos se reinventam escrevendo livros , dirigindo filmes, pintando quadros , fazendo esculturas , criando coreografias etc Mas muitas pessoas não artísticas conseguem com semelhante criatividade recriar suas vidas a fim de deixar para trás os escombros daquilo que foram ou imaginaram ser um dia.

As estratégias de reinvenção são variadas. E vão desde mudanças no visual até o profundo envolvimento em trabalhos comunitários. Alguns se reinventam pelo estudo, pelo aprimoramento do intelecto. Outros por meio da solidariedade. Existem aqueles ainda que dão uma boa pirada no bom sentido da palavra e jogam fora aquilo que não lhes convém, mudando de cidade , de país, de profissão etc Os mais determinados e comprometidos com uma mudança profunda e radical conseguem desenraizar hábitos nocivos antigos. Algumas mudanças externas estimulam internas. Mas qualquer mudança real precisa ser sempre de dentro para fora. Caso contrário será uma mudança de fachada, um verniz que de descascará ao contato do primeiro atrito mais brutal.

Recomeçar não é fácil porque dá uma preguiça danada. Sonhamos com a estabilidade. Quem não quer o seu lugar aconchegante e confortável no mundo? Mas a necessidade de recomeçar , muitas vezes, surge de forma imperiosa e temos apenas dois caminhos a seguir: recomeçar ou se deixar destruir pelas circunstâncias.

Não é à toa que muitas pessoas continuam em empregos horríveis, em carreiras que detestam, em relacionamentos abusivos ou medíocres ( às vezes acho que um relacionamento medíocre é pior do que um abusivo...piadas à parte) porque simplesmente não têm forças para recomeçar. Às vezes , nem sabem como. Mas quando a tragédia nos pega de jeito, com força total, sem deixar pedra sobre pedra, não temos mais como nos acomodar. É tudo ou nada. Aí, vale tudo: terapia, esoterismo, filantropia, conversas insanas com os amigos, uma viagem pelo mundo usando todas as economias etc os caminhos da auto descoberta e da reinvenção são tremendamente pessoais. Cabe a cada um fazer o seu.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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