cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Uma homenagem poética aos que não tem lugar no mundo

Idealistas românticos podem ser considerados muito chatos para as pessoas de um modo geral. Mas quando alguém precisa ser consolado, dificilmente encontrará companhia melhor do que um amigo idealista romântico. Pois só quem tem chagas na alma pode entender e consolar quem sofre. Ninguém consegue ser mais empático e caloroso do que um idealista romântico diante do sofrimento alheio. Sabemos exatamente como o outro se sente desamparado, sabemos exatamente como o outro se sente perdido e destruído pois já nos sentimos do mesmo jeito milhares de vezes. Nenhuma dor ou desespero é novidade para nós.


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Falamos muito sobre as pessoas que não têm emprego, que não têm um teto ou um pedaço de terra para cultivar. Hoje, falarei sobre uma outra minoria que também sofre muito por não ter um lugar no mundo: falo sobre os idealistas românticos que concebem a vida com uma dose cavalar de poesia, sensibilidade e passionalidade.

Falo sobre um tipo de gente incompreendida, que dificilmente encontra pessoas semelhantes a elas. Falo de um tipo de gente que precisa lutar bravamente para sobreviver em um mundo prático, objetivo, que pouco tempo e importância dedica às questões da alma. Falo de um tipo de gente sem lugar no mundo.

Os idealistas românticos acreditam que não existe nada mais importante do que amar, que quando duas pessoas se amam devem ficar juntas apesar de todas as circunstâncias. Os idealistas românticos, quando o assunto é amor, nunca deixam de ser adolescentes: emotivos, inseguros e corajosos ao mesmo tempo, ingênuos e fortes simultaneamente. Para a nossa sociedade que preza pela eficácia e pelo poder, os idealistas românticos são pessoas frágeis e imaturas porque elas atrapalham a estrutura social. Elas desorganizam o dia a dia que deve ser muito controlado para que as pessoas possam ser mais produtivas economicamente falando.

Para ser bem sincera, me parece que os pragmáticos realmente nem entendem o que os idealistas românticos dizem e sentem. E se eles os esmagam é muito mais por falta de entendimento do que por maldade. É muito complicado compreender e se sensibilizar com um tipo de drama que nunca vivemos.

Como toda minoria, tudo é mais difícil para os idealistas românticos: encontrar um parceiro para a vida a dois, se adaptar à rotina do mundo coorporativo cheio de jogos de cena , protocolos e palavras vazias, suportar a superficialidade das relações sociais.

Idealistas românticos num mundo competitivo, materialista, consumista e prático como o nosso são como albinos em terras tropicais , debaixo de um sol de 40 graus. Mas as nossas queimaduras são internas. Ninguém pode vê-las realmente a não ser que seja outro idealista romântico que enxerga com os olhos da alma.

Idealistas românticos podem ser considerados muito chatos para as pessoas de um modo geral. Mas quando alguém precisa ser consolado, dificilmente encontrará companhia melhor do que um amigo idealista romântico. Pois só quem tem chagas na alma pode entender e consolar quem sofre. Ninguém consegue ser mais empático e caloroso do que um idealista romântico diante do sofrimento alheio. Sabemos exatamente como o outro se sente desamparado, sabemos exatamente como o outro se sente perdido e destruído pois já nos sentimos do mesmo jeito milhares de vezes. Nenhuma dor ou desespero é novidade para nós.

Normalmente as pessoas quando passam por uma grande perda afetiva se fecham para o amor e preferem ficar sozinhas ou entrar em relacionamentos de conveniência para não correrem o risco de se machucarem novamente. Os idealistas românticos não. Saímos e entramos em sucessivas dores pois não sabemos viver de outro modo. As nossas promessas de que nunca mais cairemos no amor soam engraçadas para nós mesmos porque lá no fundo sabemos que em pouco tempo, estaremos novamente morrendo ou vivendo de amor.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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