cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A gente deveria se aceitar com menos ilusões

A gente tem que olhar para o nosso próprio vazio e compreender que é isso mesmo. Como diria Clarice Lispector, nunca sabemos sobre quais defeitos as nossas virtudes estão alicerçadas. Se pudéssemos extirpar o pior , jogando no triturador com os restos de pizza amanhecida, correríamos o patético e ingênuo erro de atirarmos junto com nossas nefastas manias, o que nos faz magnéticos e insubstituíveis , nem que seja pelos próximos 15 dias.


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Dizem que não podemos dar o que não temos. Realmente. É um fato. Mas lá no fundo a gente se cobra, a gente se pune. Queremos ser algo que não somos. É preciso deparar-se com as próprias limitações, encarar as próprias lacunas e teclas quebradas sem desespero. Sim, a gente tem que aceitar com menos desespero os detonadores que sempre fazem a gente desafinar, que fazem a gente desenlaçar.

Obviamente, que todo ser humano tem o direito e deve tentar se aprimorar. Por outro lado, sem estuprar as próprias tendências. Podemos amenizar alguns defeitos inconvenientes, mas não podemos deixar de ser quem somos porque assim o desejamos.

Chega um momento da vida em que não dá mais mentir para a gente mesmo. Que não dá mais para criar ilusões a respeito de tudo que a gente poderia ou gostaria de ser.

Chega um momento em que a gente se assume como um quadro sem moldura nem retoques. Que a gente se assume como poesia inacabada, texto sem revisão, melodia intensa executada por orquestra sem maestro, ator que esqueceu o texto no proscênio.

É, não tem muito jeito não. A gente tem que se aturar, gostando ou não. A gente tem que esperar menos de nós, parar de exigir aquilo que não podemos dar porque não temos.

A gente tem que olhar para o nosso próprio vazio e compreender que é isso mesmo. Como diria Clarice Lispector, nunca sabemos sobre quais defeitos as nossas virtudes estão alicerçadas. Se pudéssemos extirpar o pior , jogando no triturador com os restos de pizza amanhecida, correríamos o patético e ingênuo erro de atirarmos junto com nossas nefastas manias, o que nos faz magnéticos e insubstituíveis , nem que seja pelos próximos 15 dias.

Sim, temos o livre arbítrio para fazer as nossas escolhas. Construímos a nossa existência por meio das nossas escolhas e depois temos que encarar as consequências. Podemos sim nos negar a tomar os mesmos venenos e pisar nas mesmas tábuas quebradas. Com as experiências, descobrimos que se somos muito impacientes , comemos cru. Que se somos perversamente sinceros, ouviremos o que queremos e aquilo que não queremos também. Com as experiências , aprendemos que amar dói, mas que sempre vale a pena. Com as experiências, aprendemos que nem sempre o mundo é justo, que o mundo não tem uma lógica tão cartesiana. Com as experiências, aprendemos que nem sempre somos vítimas passivas do destino. Com as experiências, aprendemos que tem coisas que nunca aprenderemos.

Por outro lado, temos tendências, temos inclinações muito fortes e negá-las é o mesmo que negar a própria vida. É o mesmo que negar a nós mesmos. Por tal motivo, vemos tantas pessoas conduzindo carreiras infelizes , por não apresentarem vocação para exercerem determinada profissão. É por tal motivo que vemos tantos casais que não combinam compartilhando a vida porque em algum momentos os fizeram acreditar que eles combinavam. É por tal motivo que vemos pessoas como espectadoras da vida, sem vivê-la, sem senti-la, sem protagonizá-la. Sim, muitos são meros figurantes de sua própria existência pois tentam sustentar a todo custo uma ilusão. A ilusão de ser quem não é.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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