cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU.

www.psicanalistasilviamarques.com

Amnésia e o perigo das ideias fixas

Quando queremos muito uma coisa , é justo lutarmos exaustivamente para alcançarmos o nosso objetivo. É muito triste ver as pessoas desistindo de seus sonhos diante da primeira ou da segunda dificuldade. Por outro lado, devemos saber a hora de parar, de jogar a toalha, de assumir que não dá mais para seguir pelo mesmo caminho. Saber aceitar a derrota é um grande ato de coragem e lucidez.


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No filme Amnésia, de Michael Polish, o tema principal, por incrível que pareça não é a amnésia e a necessidade de reconstruir a vida a partir do zero.

Amnésia, entre outros temas, fala sobre o perigo das ideias fixas. Sobre o tênue e perigoso limite existente entre ser determinado e perseverante e ser obcecado.

Quando queremos muito uma coisa , é justo lutarmos exaustivamente para alcançarmos o nosso objetivo. É muito triste ver as pessoas desistindo de seus sonhos diante da primeira ou da segunda dificuldade. Por outro lado, devemos saber a hora de parar, de jogar a toalha, de assumir que não dá mais para seguir pelo mesmo caminho. Saber aceitar a derrota é um grande ato de coragem e lucidez.

Obviamente a personagem feminina protagonista não pode servir de exemplo para a maioria esmagadora das pessoas pois ela apresenta distúrbios mentais gravíssimos. Por outro lado, podemos nos lembrar de muitos casos cotidianos de pessoas consideradas normais que se agarram a uma ideia de forma obsessiva, sem abrir espaço para outras possibilidades.

Sabemos o quanto focar é importante quando queremos algo, mas por outro lado, focar demais nos impede de ver que existem outros caminhos, que a vida é criativa e flexível, que nem tudo precisa acontecer do jeito e na hora que esperamos.

A protagonista feminina queria um filho acima de tudo, mas não cogitava uma adoção , por exemplo. Tem gente que quer o amor, mas não se abre para ele. Tem gente que quer ser querido , mas não se esforça para ganhar o carinho das pessoas. Tem gente que quer conforto, mas não aceita arregaçar as mangas.

Agarrar-se a uma ideia sem dar brecha para outras pessoas e coisas se aproximarem pode ser muito perigoso. Perigoso pois nos limita exageradamente e nos empurra, muitas vezes, para um corredor escuro, sem nenhuma luz no fim do túnel. Quem não se permite mudar de ideia, buscar soluções alternativas corre o sério risco de ficar parado indefinitivamente num lugar opressivo.


Sílvia Marques

Doutora em Comunicação e Semiótica, psicanalista lacaniana, escritora e atriz. Indicada ao Jabuti 2013. Idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU. www.psicanalistasilviamarques.com.
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