cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Cordeiros em pele de lobo

Dizem que o ataque é a melhor defesa. E antes que um lobo de verdade se aproxime e delimite território, os cordeiros cansados de serem atacados vestem uma fantasia de lobo para mostrarem que podem atacar, que podem se defender, que não são presas fáceis.


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Sim, cordeiros em pele de lobo. O ditado popular afirma lobo em pele de cordeiro para se referir à pessoas perigosas que se passam por inofensivas. Meu artigo é sobre pessoas inofensivas que se passam por perigosas por n motivos. Sabemos claramente por que lobos se passam por cordeiros: para manipular, tirar proveito das pessoas desavisadas e ingênuas, ganhar alguma vantagem material, obter sexo fácil ou tirar um sarro básico mesmo daqueles que eles odeiam. Mas o que faz um cordeiro se passar por um lobo?

Numa sociedade tão materialista, imediatista, em que as pessoas fazem dobraduras com o nosso coração e depois vão ao cinema de boa, muitos cordeiros se passam por lobos para se protegerem, se auto preservarem, passando aquela imagem de bad boy ou bad girl.

Dizem que o ataque é a melhor defesa. E antes que um lobo de verdade se aproxime e delimite território, os cordeiros cansados de serem atacados vestem uma fantasia de lobo para mostrarem que podem atacar, que podem se defender, que não são presas fáceis.

Vivemos em um tempo em que as pessoas temem mostrar seus bons sentimentos. Vivemos em um tempo em que as pessoas temem mostrar suas fragilidades e lado mais emotivo pois até mesmo um "eu te amo" sincero, dito com os olhos nos olhos, com os olhos da alma, pode ser usado como uma arma letal contra nós.

Vivemos em um tempo em que não podemos nos importar com nada. Em que tudo deve ser superado como alguém que deleta um post ridículo nas redes sociais. Vivemos em um tempo em que tratamos o sexo como o antídoto contra todas as dores da vida. E muitas vezes, nos esquecemos, de que é o sexo com amor que nos liberta de tudo, até de nós mesmos, daquelas cicatrizes mais profundas e antigas, daquelas cicatrizes mais arraigadas à alma.

Vivemos em um tempo em que cordeiros precisam se vestir como lobos ou lobas para não serem trucidados logo no start do jogo. Para sobreviverem pelo menos à primeira rodada do jogo de tabuleiro. E não existem bons números para cordeiros. Os dados quase sempre são péssimos, a não ser que eles encontrem outros cordeiros perdidos por aí ou se tornem lobos temporariamente e acreditando fielmente em sua mentira, consigam atacar antes de serem feridos.

Muitas vezes, pessoas sensíveis e românticas, precisam ocultar o que elas têm de mais bonito e suave em um mundo implacável com aqueles que ousam amar , se entregar aos sentimentos e viver a vida com uma boa dose de autenticidade afetiva, deixando protocolos e vantagens sociais em segundo plano.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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