cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O valor inestimável da experiência

Quem não se permite experimentar por medo do desconhecido, quem não se permite falar por medo de ser ironizado, quem não corre atrás das oportunidades, pode ter uma vida muito tranquila e triste ao mesmo tempo. Oscilar, ter altos e baixos faz parte da existência humana. Como afirma o velho ditado , tem o dia da caça e o do caçador.


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Scarlett O'Hara de E o vento levou lutava bravamente mesmo correndo o risco de quebrar a cara

Agir, escolher, desbravar caminhos , criar receitas, se jogar na vida exige de nós uma coragem descomunal pois o risco de quebrar a cara é grande. Só pode obter o melhor quem se arrisca ao pior. Mas só quem almeja e luta pelo melhor pode se deparar com o pior. Lutar bravamente é um jogo perigoso porque em algum momento perdemos o controle da situação. Não podemos prever todas as variáveis.

Por outro lado, quem não passa por experiências, não vive. Quem se recusa a sair da zona de conforto , definha pouco a pouco, principalmente se a pessoa em questão tiver uma natureza mais passional.

Quem não se permite experimentar por medo do desconhecido, quem não se permite falar por medo de ser ironizado, quem não corre atrás das oportunidades, pode ter uma vida muito tranquila e triste ao mesmo tempo. Oscilar, ter altos e baixos faz parte da existência humana. Como afirma o velho ditado , tem o dia da caça e o do caçador.

Quando passamos por muitas experiências desgastantes e traumáticas, realmente a nossa tendência é querer se enfiar debaixo de um edredom gigante , conectado ao Netflix, com um balde enorme de pipoca ao lado. Quando a gente leva muito não, leva muito bolo, leva muito a sério o que o outro disse da boca para fora, o mundo se torna um lugar muito feio de se viver. Me parece salutar viver os momentos de luto em paz. Me parece interessante assistir a muitos filmes debaixo do edredom enquanto não nos sentimos fortes e dispostos o bastante para correr à linha de frente de novo.

E quando me refiro a decepções e traumas, não falo apenas de decepções amorosas. Falo de tudo aquilo que a gente quis muito e não conseguiu. De tudo aquilo que era bem importante e a gente perdeu ou deixou de ganhar. Pode ser um concurso público, um processo seletivo, um concurso literário, uma resposta negativa de uma editora, as vendas baixas de um livro, um dinheiro que a gente esperava e que acabou não entrando na nossa conta, um amigo vacilão que fez algum tipo de caca bem fedida.

Falo da vaga de um curso que a gente queria fazer e não conseguiu. Falo de uma bolsa de estudos para passar uma temporada no exterior que não saiu. Enfim, falo da vida de um modo geral, com suas infinitas possibilidades de rir bem alto da nossa cara amarfanhada.

De qualquer forma, a experiência tem um valor inestimável. Não há nada que pague a satisfação de conquistar o que se deseja com as próprias mãos. Não há nada que pague o gozo de atravessar as barreiras do medo e do orgulho para alcançar o pote de ouro no fim do arco-íris...mesmo que este pote de ouro na verdade seja um latão enferrujado que a gente quis muito.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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