cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Você é prioridade da sua prioridade?

Tem gente que só quer receber e quando precisa de qualquer coisa ( dinheiro, apoio moral, informações etc) sabe muito bem o que dizer e como dizer para obter o que necessita. Tem gente que quer ser prestigiado, mas não prestigia. Tem gente que quer ser adorado, mas não adora ninguém. Tem gente que quer que as pessoas sejam prestativas, mas não fazem nenhum tipo de favor. Nem ao menos fornecem uma informação.


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Esta , talvez, seja uma das perguntas que apresenta uma das respostas mais dolorosas de se encarar. Você é prioridade da sua prioridade?

Você ocupa o horário nobre na vida daquele ou daqueles que tomam conta da sua grade de programação? Você pode contar com o apoio das pessoas que te procuram quando estão na pior? Você pode chorar no ombro das pessoas que deitaram em seu colo para ouvirem palavras de consolo? Você é aplaudido por aqueles a quem você aplaudiu , mesmo estando num mau momento?

Às vezes, a gente deixa as nossas necessidades e problemas em segundo plano para apagar o incêndio de alguma pessoa querida que faz parte da nossa vida. Até aí , tudo bem. Quem já não abriu mão de um monte de coisas para roubar um sorriso do rosto de um amigo? Quem já não saiu da zona de conforto para ajudar um parente em apuros? Quem já não deixou de fazer o que queria para proteger alguém especial? Até aí, tudo bem novamente. Um pouco de renúncia pelas pessoas amadas faz bem à alma. Mais do que isso. Ressignifica a vida.

O problema é quando só a gente se sacrifica. O problema é quando só a gente abre mão das coisas e sai da zona de conforto para ver o outro bem e quando precisamos de apoio, somos obrigados a nos virar sozinhos ou buscar pela ajuda de outras pessoas.

Tem gente que só quer receber e quando precisa de qualquer coisa ( dinheiro, apoio moral, informações etc) sabe muito bem o que dizer e como dizer para obter o que necessita. Tem gente que quer ser prestigiado, mas não prestigia. Tem gente que quer ser adorado, mas não adora ninguém. Tem gente que quer que as pessoas sejam prestativas, mas não fazem nenhum tipo de favor. Nem ao menos fornecem uma informação.

É duro quando cai a ficha e a gente percebe que não somos tão importantes e especiais para as pessoas que amamos. É triste quando a gente percebe que a nossa prioridade, o nosso amigo mais querido ou o nosso namorado/namorada por quem fomos mais apaixonadas/apaixonados nos encara como uma mera opção. É doloroso dizer para si mesmo que aquele amigo é o seu melhor amigo sob o seu ponto de vista, mas sob o ponto de vista dele você é um amigo a mais no meio de muitos outros, que não fizeram metade por ele do que você fez.

É quase insuportável perceber que aquele namorado/namorada que encheu a nossa vida de luzes e cores, está apenas passando o tempo conosco enquanto não aparece nada melhor na opinião dele/dela. É triste dizer "Eu te amo" e ouvir "Eu gosto muito de você". É triste perceber que apesar de apreciar a nossa companhia, a pessoa amada consegue tocar a vida de boa sem a gente. Não há nada mais doloroso e avassalador no final de um relacionamento do que ouvir da pessoa amada, que está indo embora, que a vida continua. Dizer que o fim da relação não é nenhuma tragédia é a própria tragédia. Quando a parte que vai embora diz que o fim da relação não é uma tragédia, a gente se sente menor do que um verme porque descobrimos naquele momento que o romance só foi importante para a gente. Às vezes uma fala desta natureza machuca mais do que o próprio rompimento.

Sim, é muito duro fazer este tipo de questionamento. É duro, mas necessário. Será que nós somos a prioridade das nossas prioridades? Será que não estamos escolhendo mal? Investindo o nosso ouro nas instituições erradas?


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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