cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A prova dos nove da convivência

Se não houver diversas compatibilidades , a relação cai por terra como um castelinho de areia ou cartas. Se o casal não tiver afinidade afetiva e intelectual, não adianta fazer joguinhos , fazer ciúmes, criar estratégias para chamar a atenção. A rotina não tolera farsas, amores inventados, entregas medianas e superficiais. A rotina coloca tudo nos seus devidos lugares, mostrando quem é quem.


casalfeliz.jpg

Sim, sabemos que normalmente começos são felizes, mesmo quando não existe uma grande paixão. A simples novidade de estar com alguém mexe em algum sentido com a nossa vida. A simples esperança de que uma amizade carinhosa e uma pequena atração física se revertam em paixão avassaladora ou amor profundo um dia nos faz feliz de algum modo.

Porém, como diria o dramaturgo Nelson Rodrigues, o dia a dia é o abismo do amor , pois por meio da convivência vamos desnudando os defeitos do outro e o outro vai desnudando os nossos. E num movimento , às vezes lento, em outros vertiginoso, o amor cai nos abismos fatais das contas para pagar , das mesquinharias burocráticas da rotina, da incompatibilidade das agendas, da incompatibilidade de temperamento , da incompatibilidade das neuroses, do excesso de cansaço que faz as pessoas perderem o brilho diante dos olhos do outro.

A rotina traz também o perigoso conforto de que o outro nos pertence e por isso precisa suportar todas as nossas lacunas. A rotina traz certa indolência e os gestos vigorosos do início vão perdendo a força , até os laços desafrouxarem, dando espaço para que outros laços surjam.

A rotina desnuda nosso lado mais mesquinho, mais irritante e chato. Obviamente , que com a rotina também vem à tona o nosso eu mais autêntico, aquele que é capaz de renunciar pelo outro. Obviamente , a rotina também traz as nossas grandezas. No lugar das máscaras sociais e dos jogos de sedução, entram a nossa capacidade de adaptação, a nossa disponibilidade para tentar fazer dar certo. Enfim, tudo é jogado na mesa: o nosso melhor e o nosso pior. A convivência destroça os meios termos.

Por tal motivo, só podemos dizer realmente se amamos alguém quando nos acostumamos com a sua presença. Quando nos sentimos confortáveis ao lado desta pessoa , mas jamais perdemos o medo de perdê-la. Quando somos capazes de fazer sacrifícios pela relação, mas sem sentir que tais ações são um peso. Quando passamos a perceber claramente os defeitos, mas as qualidades positivas continuam pesando mais para nós.

Quando entendemos que como qualquer outra pessoa , o parceiro apresenta teclas quebradas, mas que não vale a pena ficar citando-as o tempo todo. Quando a gente compreende que nem tudo o que acontece na vida do parceiro diz respeito a nós e nem tudo que acontece a nós diz respeito ao parceiro. Que mesmo amando e sendo amado, somos seres individuais. Só pessoas inteiras podem formar casais que fazem a diferença na vida um do outro.

Se a rotina traz as nossas manias mais chatas à tona, a nossa face mais patética, por outro lado, a rotina faz uma baita prova dos nove: ela mostra quem realmente combina com a gente. Ela mostra que um look bonito é muito bom e chamativo, mas que nenhuma relação dura à base de caras e bocas, poses sensuais, palavras melosas . Se não houver diversas compatibilidades , a relação cai por terra como um castelinho de areia ou cartas. Se o casal não tiver afinidade afetiva e intelectual, não adianta fazer joguinhos , fazer ciúmes, fazer cena, fazer média, criar estratégias para chamar a atenção. A rotina não tolera farsas, amores inventados, entregas medianas e superficiais. A rotina coloca tudo nos seus devidos lugares, mostrando quem é quem.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques
Site Meter