cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Amor é um pouco de tudo

Escolher entre amor sexual, romântico , intelectual seria o mesmo que escolher entre comer só verduras ou comer só carne ou carboidratos. Precisamos de tudo um pouco , tanto na alimentação como na vida amorosa. Precisamos de tudo um pouco na vida de um modo geral. Não dá só para trabalhar ou só se divertir ou passar o dia inteiro pensando em amor. Precisamos de descanso, realização amorosa/sexual, realização profissional, vida social, boas amizades, convivência com a família para nos sentirmos bem conosco mesmo. Uma coisa não substitui a outra.


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Cena do filme Coração selvagem

Sim, amor é um pouco de tudo para ser merecedor do título amor. Fui indagada esta semana sobre qual tipo de amor em que eu acreditava: sexual, afetivo, platônico, baseado na admiração... Respondi que precisa ter um pouco de tudo. Amor puramente sexual é vazio. Nem acho que possa ser considerado amor. Admiração sem desejo sexual e sem romantismo não é amor. É amizade. Amor platônico é lindo, mas é ilusório. Não resiste aos golpes ferozes da realidade. Afetividade é fundamental, mas afinidades intelectuais também são necessárias.

Escolher entre amor sexual, romântico , intelectual seria o mesmo que escolher entre comer só verduras ou comer só carne ou carboidratos. Precisamos de tudo um pouco , tanto na alimentação como na vida amorosa. Precisamos de tudo um pouco na vida de um modo geral. Não dá só para trabalhar ou só se divertir ou passar o dia inteiro pensando em amor. Precisamos de descanso, realização amorosa/sexual, realização profissional, vida social, boas amizades, convivência com a família para nos sentirmos bem conosco mesmo. Uma coisa não substitui a outra.

Não se preenche a lacuna de uma vida amorosa vazia com um filho da mesma forma que um casamento feliz não substitui a falta da maternidade/paternidade para quem deseja realmente ser mãe ou pai. Uma vida profissional excelente não substitui a ausência de uma vida amorosa da mesma forma que um namoro apaixonado não preenche o vazio de uma vida profissional chata e estressante. Amigos não são estepes para quem não tem um parceiro afetivo. Amigos devem ocupar um bom lugar em nossa vida independente de estarmos namorando ou não.

Mas voltando ao amor e seu caráter complexo e multifacetado, uma relação rica engloba muitos elementos e afinidades. Ninguém vive só de sexo ou só de carinho ou só de papos interessantes. É preciso encontrar com a mesma pessoa um bom sexo, muito carinho e muitos papos interessantes . É preciso também confiar , respeitar , admirar quem se ama. E quando digo admirar , não me refiro à aceitar tudo o que a pessoa fala e faz. Discordar do outro com educação também faz parte de uma relação pautada pela admiração e respeito.

É preciso ver no outro o nosso melhor amigo, um companheiro para todas as horas. É preciso sentir que o outro estará ao nosso lado quando a gente estiver feliz e quiser comemorar. É preciso sentir que o outro estará ao nosso lado quando a gente estiver triste e quiser chorar e desabafar. Ou simplesmente , quando a gente não estiver nem uma coisa nem outra. Quando a gente quiser simplesmente compartilhar das mesmices cotidianas com quem amamos. Quando simplesmente quisermos sentar ao redor de uma mesinha de bar , tomar um chope gelado e beber do olhar do outro o que a boca não quer dizer...por preguiça ou por entender que em alguns momentos muito íntimos as palavras são supérfluas.

Talvez, por tal razão, seja tão complicado encontrar o amor, construir uma boa parceria afetiva pela vida afora. Por pressa de nos juntarmos com alguém, por pressa de arranjarmos uma companhia, abrimos mão de uma coisa ou de outra. Uns abrem mão de um sexo de qualidade. Outros abrem mão de um parceiro intelectualmente compatível. Existem ainda aqueles que abrem mão do próprio cerne do amor: aquela alegria inexplicável que sentimos quando estamos com determinada pessoa, independente de qualquer circunstância.

Por tal razão, a maioria das pessoas vive amores mutilados, cheios de lacunas, cheios de necessidade de buscar em outras pessoas o que falta à relação e é essencial.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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