cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Não se defenda com as palavras. Não perca a felicidade por delicadeza

O amor não aceita cartas comerciais ou mensagens ponderadas. O amor pede passagem pelo mundo, choramingando com ares domingueiros a sua louca necessidade de seguir em frente e tomar para si o que lhe parece de direito.


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Cena do filme Orgulho e preconceito, baseado no romance homônimo de Jane Austen

Não se defenda com as palavras. Não perca a felicidade por delicadeza. Ou orgulho. Medo de parecer ridículo. Medo de se expor para alguém que talvez não te ame nem te deseje tanto assim.

Quando estamos apaixonados ou estamos amando, a gente deveria deixar isso claro, sem medo de parecer frágil. Sem medo de levar um não ou uma resposta exageradamente educada, sem paixão.

Sim, receber um não dói. E como dói. Se expor para alguém que não sabemos ao certo o que sente por nós é para os fortes, os destemidos, para aqueles que querem quebrar o casulo do orgulho, do politicamente correto, do comodismo. Para aqueles que sabem que o amor tem uma boa dose de bossa, de poesia. Que mesmo sendo ultra racional, existem momentos em que o amor pede um pouco de falta de recato.

Como diria na ópera Carmem, de Bizet, o amor é uma criança cigana. Sim, o amor é peralta, faz travessuras, quer comer a sobremesa antes do jantar, raspa a panela do brigadeiro com os dedos, ri de uma piada boba fora de hora.

O amor não aceita cartas comerciais ou mensagens ponderadas. O amor pede passagem pelo mundo, choramingando com ares domingueiros a sua louca necessidade de seguir em frente e tomar para si o que lhe parece de direito.

Muitos casais se separam e não se reconciliam por falta das palavras certas. Por falta de um sinto muito ou um eu te entendo ou um eu te amo.

Muitas pessoas que se amam, dormem em camas separadas porque não tiveram coragem de questionar a partida do outro. Muitos casais fingem não se conhecer quando passam pela rua por falta de um pedido de desculpas ou pela incapacidade de perdoar. Muitas pessoas que deveriam estar juntas, estão separadas porque nos defendemos com as palavras. Argumentamos quando devemos poetizar. Reivindicamos direitos em vez de abrir o coração e deixar a alma fluir.

Sim, não devemos nos defender com as palavras, pois independente do resultado alcançado, podemos nos sentir em paz conosco mesmo quando lutamos até o fim por um amor. Quando mergulhamos até o mais profundo de nós mesmos ao tentar nos reconciliarmos com aqueles que mais significam em nossa vida.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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