cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

O irresistível charme dos intelectuais

Sim, pessoas intelectuais não precisam gastar horrores nos lugares da moda para se divertir. Um bom papo regado a café já faz a alegria de um casal intelectual. Uma cidade como São Paulo está abarrotada de boas oportunidades de lazer barato para intelectuais: exposições e concertos gratuitos ou a preços simbólicos; as peças de teatro mais elaboradas , muitas vezes, são as mais econômicas; sessões de cinema alternativo também costumam oferecer promoções incríveis. Dar e receber um livro ou um dvd de presente é demais! Não é preciso gastar uma fortuna comprando uma roupa de grife.


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Em uma sociedade como a brasileira, estudar parece perda de tempo. Embora nunca tenha se valorizado tanto ter um diploma, por outro lado, nunca houve tanto desinteresse pelo aprender em si.

Ok.Ok.Ok. Muitos precisam estudar e trabalhar ao mesmo tempo e tal realidade é realmente complicada. Mas podemos ver estudantes com tempo para se aplicar e que mesmo assim não se interessam pelos estudos e podemos encontrar também aqueles que mesmo com pouco tempo se dedicam. Não é preciso ter milhares de horas por semana para estudar , até mesmo porque a qualidade do tempo de estudo conta mais do que a quantidade.

Em uma sociedade como a nossa , ter um corpo perfeito é muito mais importante. Não nego que um corpo bem cuidado seja bonito. O problema é apostar todas as fichas em músculos e glúteos e deixar abandonado à própria sorte o nosso órgão mais importante: o cérebro.

Além de músculos bem definidos , a nossa sociedade valoriza também um tipo mais espontâneo de inteligência, para não dizer esperteza. Quem sabe fazer gambiarras é aplaudido, mesmo que em silêncio para não ferir as suscetibilidades do politicamente correto, bastante em alta em nossa sociedade também. Faz-se de tudo, mas comentar jamais.

Pessoas com intelecto mais desenvolvido, que estimulam o gosto pelo aprender, que se interessam pelos mais variados assuntos e pontos de vista, que se abrem para diálogos profundos e francos, que passeiam pelas mais variadas artes, que dão bicadinhas na filosofia , na psicanálise, na antropologia, na sociologia , entre outras ciências, tende a ampliar enormemente suas conexões cerebrais , desenvolvendo características como alteridade, capacidade de argumentar, capacidade de detectar o discurso alheio, capacidade de questionar os valores sociais a fim de agir sobre eles. Quem desenvolve o intelecto passa a ser protagonista da própria vida. Começa a escrever a sua própria história em vez de se enxergar como peça passiva de um gigantesco tabuleiro, manipulável por mãos poderosas e onipotentes.

Quem expande suas conexões cerebrais não faz ou deixa de fazer as coisas porque todo mundo faz ou deixa de fazer. Quem expande as conexões cerebrais deixa de ser fantoche e torna-se alguém imunizado contra manipulações das mais variadas naturezas. Quem expande suas conexões cerebrais torna-se uma pessoa mais interessante, com um papo que flui melhor, com mais senso de humor, com mais criatividade para reelaborar a própria vida.

Brincando com alunos em sala de aula, disse que namorar uma garota intelectual é muito mais econômico do que namorar uma não intelectual. Uma estudante inteligente me ajudou a complementar o meu pensamento. No final da explanação, disse que a minha fala valia para os rapazes também.

Sim, pessoas intelectuais não precisam gastar horrores nos lugares da moda para se divertir. Um bom papo regado a café já faz a alegria de um casal intelectual. Uma cidade como São Paulo está abarrotada de boas oportunidades de lazer barato para intelectuais: exposições e concertos gratuitos ou a preços simbólicos; as peças de teatro mais elaboradas , muitas vezes, são as mais econômicas; sessões de cinema alternativo também costumam oferecer promoções incríveis. Dar e receber um livro ou um dvd de presente é demais! Não é preciso gastar uma fortuna comprando uma roupa de grife.

Sem falar, como diria minha aluna com a qual concordo totalmente: pessoas intelectuais entendem que rachar contas é mais do que natural. É o justo. Não é possível falar sobre mulheres empoderadas enquanto insistirmos em entender as relações amorosas como barganhas. Se um homem necessitar pagar desde o café expresso até o motel, passando pelos ingressos do cinema, as garrafas de vinho, os jantares românticos, estaremos dizendo de forma subliminar que somos prostitutas: que damos a nossa companhia em troca de passeios. É tão justo e válido, um dia, o homem pagar a conta inteira de um restaurante quanto uma mulher pagar a conta inteira para agradar ao seu namorado. Se o homem pode desejar fazer uma gentileza à sua companheira , a mulher também pode ter o mesmo tipo de anseio em relação ao seu parceiro.

Enfim, quem desenvolve a intelectualidade passa normalmente a ter um olhar mais amplo sobre o mundo e sobre a vida. Ultrapassa as linhas do feminismo e do machismo para alcançar o patamar dos libertários. Aprende a perceber que todo saber é relativo e quanto mais se aprende , mais se quer conhecer. Torna-se menos escravo do status quo, dos modismos, do consumismo, das leis tirânicas de um sistema que nos enxerga como parafusos de uma engrenagem. Sim, se intelectualizar é se libertar. Pois como disse um professor há séculos..." conhecimento é poder".

Obviamente existem pessoas que estudam muito e nem por isso desenvolvem a alteridade. Muito pelo contrário. Alguns se tornam ainda mais dogmáticos e arrogantes. Alguns utilizam o próprio saber para oprimir e humilhar. Como se diz...em toda regra há exceções. Mas se a gente for parar para pensar, tais pessoas não são intelectuais de fato.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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