cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Quando o não quer dizer sim

Sim, muitas vezes enganamos à nós mesmos, criamos desculpas esfarrapadas, histórias mirabolantes para simplesmente seguirmos em frente sem berrar como loucos. Para simplesmente não rasgarmos completamente a pele da alma em mil pedaços. Para suportamos o insuportável. Para acreditarmos no insólito e desacreditarmos naquilo que brilha diante de nossos olhos.


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Cena do filme Ligações perigosas. Conflito entre valores e sentimentos.

Quem entende o ser humano sob a lógica cartesiana , imagina que um sim é sempre uma aceitação e um não é sempre uma negação. Quem entende o ser humano sob a lógica cartesiana, imagina que todo gesto de repulsa e ódio é uma manifestação de desaprovação ou desamor. E que toda palavra carinhosa é um sinal vivo e óbvio de um sentimento amoroso verdadeiro e pleno.

Sim, algumas palavras e gestos carinhosos refletem amor de fato. Algumas palavras e gestos agressivos e virulentos representam ódio. Mas nem sempre esta lógica funciona pois somos muito complexos e não podemos ser adestrados e nem sempre o que sentimos é o que pensamos. E nem sempre o que pensamos é o que falamos e fazemos. E em muitos casos nem sabemos exatamente a extensão e a profundidade desta desconexão entre aquilo que sentimos, pensamos, falamos e fazemos.

Sim, muitas vezes enganamos à nós mesmos, criamos desculpas esfarrapadas, histórias mirabolantes para simplesmente seguirmos em frente sem berrar como loucos. Para simplesmente não rasgarmos completamente a pele da alma em mil pedaços. Para suportamos o insuportável. Para acreditarmos no insólito e desacreditarmos naquilo que brilha diante de nossos olhos.

Sim, muitas vezes nem nós mesmos sabemos quando um sim é realmente uma aceitação ou um não, uma desaprovação. Não somos senhores de nós mesmos. Não somos senhores absolutos das nossas vontades e anseios. Nem ao menos somos senhores absolutos de nossa linguagem e vira e mexe despencamos nos abismos da linguagem, procurando a palavra perfeita para um dito sentimento. Para dizer o indizível. Para explicar aquilo que não dá para racionalizar.

A maior liberdade do ser humano consiste na possibilidade e no direito que alguns fazem jus de se aceitar limitado e transformar esta impossibilidade de plenitude e controle total em algo criativo, expressivo, capaz de reinventar a existência com cores mais vivazes.

Quem entende que lacunas existem e fazem parte mesmo deste jogo intricado que é o existir, pode sair três casas à frente no tabuleiro da vida. Pode transformar maus dados em possibilidades de aprendizado. Pode usufruir melhor dos bons dados, aproveitando até a última gota das suas possibilidades. Pode tropeçar na linguagem com mais charme.

Quem se permite vivenciar esta relativa e parcial liberdade, pode adaptar algumas regras bem ácidas em algo agridoce.

Sim, nem sempre sim é sim e não é não. Nem sempre o nunca mais é nunca mais mesmo ou o para sempre é para a vida toda. Às vezes um " vai se danar" ou expressão similar significa que o amor ainda não acabou. Às vezes, uma negação muito enfática é simplesmente um jeito desesperado de tentar fugir das próprias verdades, daquilo a que não se pode e nem quer se escapar mais.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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