cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Sobre sexo: o que não falamos

O sexo ainda é tema maldito. Deve ser omitido das conversas e vivenciado às escondidas, muitas vezes, de forma dissociada da afetividade. Falar sobre um tema com assertividade e leveza, sem tabus e meias palavras, os desmitifica.


bela-da-tarde.jpg

Cena do filme A bela da tarde

Vivemos um período de uma pseudo liberalidade sexual: nunca se fez tanto sexo e de forma tão impensada e inconsequente, mas mesmo assim falar sobre sexo ainda é um tabu. Mais uma hipocrisia social: fazer com quem quiser e quando quiser, pode. Contanto que não se comente. Contanto que não se fale sobre o assunto. Falar é feio. Fazer piadas a respeito é vulgar.

Não falar sobre um assunto não o torna inexistente. Não tocar no tema "suicídio" por exemplo, não impedirá que muitas pessoas pensem a respeito ou tentem cometê-lo. Não falar sobre sexo em família e na escola não impedirá que os jovens façam sexo. Não falar sobre drogas, não impedirá que os adolescentes se interessem pelo tema.

Muitas vezes, o não falar só aumenta a curiosidade sobre um tema e o desejo de vivenciá-lo. Muitas vezes, não debater sobre um assunto, induz à atitudes irresponsáveis pois a informação consistente e o debate lúcido ainda são os mais eficazes mecanismos para reduzir gestações indesejáveis, tentativas de suicídio, relacionamentos abusivos e abuso de substâncias químicas.

Em uma sociedade que cultua o corpo e a sexualidade por um lado e a sataniza por outro, o resultado não pode ser grande coisa: adolescentes fazendo sexo cada vez mais cedo e sem saberem usar devidamente os meios anticontraceptivos. Mulheres que ainda se sujeitam a relacionamentos abusivos por pensarem que ter um homem ao lado delas é determinante para uma boa imagem social. Jovens consumindo cada vez mais substâncias químicas para escamotear crises existenciais , que incluem quadros depressivos moderados ou graves , ansiedade e um extremo tédio sobre a vida.

O sexo ainda é tema maldito. Deve ser omitido das conversas e vivenciado às escondidas, muitas vezes, de forma dissociada da afetividade. Falar sobre um tema com assertividade e leveza, sem tabus e meias palavras, os desmitifica. Sim, falar sobre suicídio de uma forma aberta e tranquila não aumentará a quantidade de tentativas. Muito pelo contrário. Pode até reduzir.

Conversar sobre substâncias entorpecentes não aumentará o desejo de consumi-las de forma abusiva. Muito pelo contrário. Talvez, até diminua a vontade de usá-las quando elas deixarem de ser um assunto mitificado. Falar abertamente sobre sexo, com leveza e alegria, não fará jovens perderem a virgindade mais cedo. Muito pelo contrário. Farão as pessoas entenderem o sexo como algo natural e talvez por isso menos urgente. Tudo aquilo que é proibido demais acaba se tornando um obscuro objeto do desejo. Basta um filme ser censurado para muitas pessoas desejarem vê-lo.

Se a sociedade se abrisse mais para diálogos mais francos sobre temas complexos, possivelmente seríamos mais capazes de tomar decisões conscientes para a nossa vida.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques