cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A onda: um debate sobre a indestrutibilidade dos ideais nazistas

Pensando em nosso contexto, os ideais nazistas sempre vão fazer parte de qualquer cultura, independente da época. Toda vez que um grupo se unir ao redor de um ou mais ideais e tentar exterminar literalmente ou simbolicamente os grupos destoantes , estaremos lidando com o nazismo. Atualmente , podemos citar vários tipos de posturas intolerantes em relação às pessoas que divergem da maioria , que divergem de um padrão considerado o ideal: podemos citar não apenas os homossexuais, bissexuais e transexuais, como também podemos falar sobre os obesos , os fumantes, os intelectuais , os românticos , entre outros grupos.


die-welle.jpg

O filme "A onda" , de 2008, dirigido por Dennis Gansel mostra fatos reais ocorridos nos Estados Unidos, mas transpostos para a Alemanha, possivelmente para enfatizar as sombras do nazismo que nunca deixaram e provavelmente nunca deixarão de existir.

A Alemanha se transformou em uma espécie de signo do nazismo. A escolha por narrar o incidente no país onde tais ideias começaram a brotar concedeu ao filme um clima mais fatalista.

Resumidamente, o filme narra um professor tentando demonstrar por meio de uma dinâmica que os ideais nazistas podiam florescer na Alemanha atual. A onda é um movimento criado pelo professor com a ajuda dos alunos com o intuito de uni-los em um grupo contra todas as outras pessoas que discordassem de suas ideias e valores. Por meio da homogeneização do vestuário, os estudantes eram adestrados para a unificação de ideais. Pensar com a própria cabeça e contrariar a menor das regras estipulada pela onda era traição.

A maioria dos alunos aderiu ao movimento pois viu na onda um lugar seguro no mundo. Mais do que isso. Uma distinção, o que soa muito paradoxal, pois apenas nos distinguimos quando temos autonomia de pensamento e ação. Finalmente , eles tinham algum ideal, eles tinham algo para proteger, algo em que acreditar . Finalmente eles não estavam sozinhos e podiam contar uns com os outros.

Quem não fazia parte da onda era inimigo. A criação de um antagonista em comum fortalece os vínculos de um grupo ou comunidade. É preciso ter um ou mais bodes expiatórios para que um grupo ou comunidade se una contra o inimigo em comum e desta forma se encha de empolgação e esperança, as bombas propulsoras da vida.

O mais curioso no filme é que o professor entra totalmente no jogo que ele criou e acaba seduzido pelo sucesso e poder que a onda lhe proporcionou. Tal atitude nos faz pensar em Foucault. Para o filósofo rebelde, o poder se manifesta em rede e quem detém o poder , é vítima dele também. Foucault comparava escolas com presídios, quarteis e hospícios. Para ele as quatro instituições eram locais de controle, isto é , manutenção do poder. Sobre a escola, Foucault ia mais longe ainda. Ele afirmava que a escola não fazia simplesmente a manutenção do poder. Ela criava o poder. Ela era o poder.

Pensando em nosso contexto, os ideais nazistas sempre vão fazer parte de qualquer cultura, independente da época. Toda vez que um grupo se unir ao redor de um ou mais ideais e tentar exterminar literalmente ou simbolicamente os grupos destoantes , estaremos lidando com o nazismo. Atualmente , podemos citar vários tipos de posturas intolerantes em relação às pessoas que divergem da maioria , que divergem de um padrão considerado o ideal: podemos citar não apenas os homossexuais, bissexuais e transexuais, como também podemos falar sobre os obesos , os fumantes, os intelectuais , os românticos , entre outros grupos.

Diariamente, podemos detectar no discurso de muitas pessoas uma profunda rejeição, para não dizer ódio, em relação à diferentes crenças e orientações sexuais, em relação a modelos de vida menos tradicionais ou que fujam de certos modismos. Hoje em dia é brega namorar, sentir ciúmes de perigos reais é patológico, ter alguns quilos acima da média provoca desdém, aderir a um estilo de vida mais simples, menos consumista, é sinal de fracasso.

Sim, a onda é possível em qualquer meio, pois a raça humana é essencialmente predatória. Em qualquer cultura, poderemos encontrar grupos que se reunirão ao redor do ódio para tentar destruir tudo aquilo que lhes desagrada ou que lhes agrada, mas que por alguma razão, eles não têm coragem de assumir.

Portanto o ódio não é "privilégio" exclusivo de determinados povos ou épocas. Quem leu o romance "Senhor das moscas" , de William Golding sabe do que eu estou falando. O mal não pode ser exterminado do mundo, pois ele está em toda parte, ele está em nós.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Sílvia Marques
Site Meter