cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Forte é quem ama

Quem precisa enfrentar dificuldades , ultrapassar barreiras, quebrar paradigmas para viver o amor necessita ter uma firmeza de caráter , um destemor , uma capacidade de luta admiráveis. Não é à toa que homens e mulheres perseverantes em seu amor, muitas vezes, acabam por conquistar o homem ou mulher amada. Amar sem ser amado é uma das dores mais pungentes e devastadoras. E quando uma pessoa suporta os limites do próprio desespero para seguir em frente em seu intento, o de se fazer amar, é muito difícil nem ao menos se comover com tal gesto.


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Na nossa sociedade são valorizadas, admiradas e invejadas as pessoas capazes de despertar a paixão e o amor nos outros. Quanto mais pretendentes tem um homem ou uma mulher, mais instigante esta pessoa parece. Se alguém consegue atrair tanto interesse e despertar tantos sentimentos desejosos nos outros , algum ou alguns encantos especiais deve ter. É o que pensamos. É o que muitos desejam para si.

Não nego aqui o fascínio provocado pelas pessoas que "colecionam" paixões e se tornam o objeto do desejo comumente. Não nego aqui o fascínio de quem brilha e consegue ser o centro das atenções sem grande esforço.

Por outro lado, me parece que forte mesmo é quem ama. Também não negarei que nem sempre é simples ser amado. Nem todo mundo sabe ser amado...bem, mas este tema fica para um outro artigo. Hoje, quero falar mesmo da firmeza de caráter daqueles que amam corajosamente e lutam por uma pessoa , deixando em segundo plano o orgulho e o medo de ser rejeitado.

Para começar, quem ama, apresenta a capacidade de se deslumbrar com o outro. Este traço por si só indica alguma generosidade, algum desprendimento, o reconhecimento do brilho do outro, mesmo que seja um brilho ilusório.

Em segundo lugar, quem precisa enfrentar dificuldades , ultrapassar barreiras, quebrar paradigmas para viver o amor necessita ter uma firmeza de caráter , um destemor , uma capacidade de luta admiráveis. Não é à toa que homens e mulheres perseverantes em seu amor, muitas vezes, acabam por conquistar o homem ou mulher amada. Amar sem ser amado é uma das dores mais pungentes e devastadoras. E quando uma pessoa suporta os limites do próprio desespero para seguir em frente em seu intento, o de se fazer amar, é muito difícil nem ao menos se comover com tal gesto.

Mas a perseverança não diz respeito apenas à fase da conquista. É preciso continuar lutando pelo amor mesmo quando o jogo aparentemente está ganho. É preciso entender o outro. É preciso costurar a convivência com fios delicados, num trabalho artesanal, cuidadoso e particular a cada um.

Socialmente falando , hoje em dia, pega mal lutar pelo amor, questionar o parceiro que parte, tentar entender o que deu errado na relação, tentar salvar o que sobrou do amor. Hoje em dia pega mal assumir que não somos maiores do que o amor. Pega mal assumir que é o amor que dá sentido à nossa vida e que sem ele tudo fica meio sem cor e sem razão de ser. É considerado fraqueza admitir-se perdidamente apaixonado por quem nos ignora. É considerado imaturidade mergulhar profundamente nas próprias emoções, afinal de contas o mundo está cheio de pessoas dispostas a curtir o momento.

Sim, forte é quem ama. Forte é aquele que rema contra a maré , caminha no contra fluxo, ignora as precárias probabilidades , as más cartas. Forte é aquele que se mantém firme e forte num mundo de possibilidades frágeis e coloridas ao mesmo tempo. Que se mantém perseverante e amoroso num mundo de pseudo afetos, de fogos de palha, de amores inventados.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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