cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Minimalize o supérfluo e maximize o que te interessa: não, este não é um texto de autoajuda

Mas precisamos diferenciar entre se levar a sério mesmo ou fingir que se leva a sério para fugir de certos imprevistos da vida. Quem se leva a sério demais pode cair num ridículo, num pseudo moralismo. Quem não se leva a sério pode despencar na opção contrária e igualmente ridícula: do pseudo intelectual, do pseudo libertário, do rebelde sem causa.


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Não, este não é um texto de autoajuda pois não passarei nenhuma receita em dez passos de como ser feliz e ter prosperidade. Seria ótimo se houvesse uma receita...ou não...enfim, cabe a cada um fazer as suas escolhas, destrinchar suas verdades, percorrer os seus caminhos.

Mas me parece que existe algo em comum a todas as pessoas independente da visão de cada um de nós a respeito de conceitos existenciais como amor, felicidade, prazer , sucesso.

Para uns, sucesso pode ser ter dinheiro. Para outros, ter amor. Pode ser que tenha gente que considere tanto o amor como o dinheiro utopias e se agarre a uma ideia de sucesso dadaísta...estilo, terei sucesso quando me desprender de qualquer ideia de sucesso. Em resumo: só tem sucesso quem não luta por ele. Quem nem tem consciência da existência dele na sua própria vida. Mas pode ser considerado sucesso algo a qual não temos consciência?

Mas voltando ao amor e ao dinheiro...para uns , dinheiro nunca é demais. Para outros , dinheiro que extrapola as necessidades mensais é veneno. Para alguns, amor é tudo. Para outros , o amor impede que o tudo aconteça pois ele engole todos que não o alimentam.

Sim, sim, sim...não definirei o que é amor , sucesso e felicidade, pois mesmo as pessoas de pensamento mais linear correm o sério risco de se contradizerem quando forem interpeladas. Até mesmo porque nem sempre queremos o que pensamos. E nem sempre pensamos o que dizemos. Muitas vezes, dizemos o completamente inverso daquilo que pensamos e queremos...ou apenas pensamos...ou apenas queremos.

Às vezes, acho que levamos a sério demais o que dizemos, pensamos e queremos. Às vezes, me parece que levamos a sério demais o que os outros dizem a respeito de seus pensamentos e desejos. Mas , em outros momentos, me parece que levar a sério é a única maneira de vivermos e não simplesmente existirmos.

Mas precisamos diferenciar entre se levar a sério mesmo ou fingir que se leva a sério para fugir de certos imprevistos da vida. Quem se leva a sério demais pode cair num ridículo, num pseudo moralismo. Quem não se leva a sério pode despencar na opção contrária e igualmente ridícula: do pseudo intelectual, do pseudo libertário, do rebelde sem causa.

Mas , voltando ao tema proposto no título, me parece que devemos , independente da nossa personalidade e aspirações, minimizar o supérfluo e maximizar o que nos interessa. Se não é possível nos livrarmos das chatices da vida, podemos ao menos reduzir seu tempo de atuação. Se não é possível prolongar o que nos faz sentido por tempo indeterminado, podemos ao menos lutar por mais momentos significativos.

A gente perde tempo demais tentando agradar as pessoas, tentando entender as pessoas, por que elas falaram ou deixaram de falar A ou B. É evidente que queremos compreender quem amamos. Faz parte da natureza do amor tentar compreender. Mais uma das nossas utopias...o problema é quando queremos entender detalhe por detalhe , vírgula por vírgula. Às vezes, nem a própria pessoa se entende!

O problema é dar peso demais à opinião de gente que nada acrescenta à nossa vida. O problema é gastar tempo com gente que só nos procura para pedir ajuda. Que quando está bem nem se lembra que existimos. O problema é fazer as coisas ou deixar de fazê-las porque pega bem, porque pega mal, porque está na moda ... tratar as pessoas com respeito é essencial. Mas tratar-se com respeito é igualmente importante. Não devo ferir ninguém, mas também não devo permitir que me firam.

O problema é perder o melhor do final de semana com compromissos sociais que não nos interessam. O problema é começar a assumir para nós responsabilidades que não são nossas, que roubam o nosso tempo de descanso e a nossa paz de espírito. O problema é se deixar explorar e manipular apenas para passar uma imagem positiva ou por excesso de sentimento de culpa.

O problema é gastar tempo com livros e filmes e passeios que não queremos , mas que insistimos em fazer porque "todos" estão fazendo. O problema é gastar mais tempo inventando desculpas para a própria infelicidade do que vivendo. O problema é quando o supérfluo pega o horário nobre da nossa vida e deixa para aquilo que nos interessa , migalhas e fiapos de energia e tempo.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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