cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Por que amamos as anti-heroínas?

Se por um lado , as anti-heroínas carecem de honra, sensatez , equilíbrio emocional e valores mais sublimes , por outro, esbanjam intensidade , capacidade de desejar, capacidade de tentar se impor em um mundo que pouco ou quase nada reserva a estas mulheres cheias de verdades subjetivas. Sim, amamos as anti-heroínas porque elas são imperfeitas. Porque elas pulsam, elas são humanas, verdadeiras, reais.


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Vivien Leigh como Scarlett O'Hara

Iludidas, passionais, trapalhonas, confusas, vaidosas, egoístas , voluntariosas, ciumentas. Sim, estes são alguns dos atributos das anti-heroínas que amamos. Dizem que é importante ter coragem para mudar o que pode ser transformado, paciência para suportar o que não pode ser alterado e sabedoria para discernir entre aquilo que é imutável ou não.

Às nossas anti-heroínas sempre falta um ou mais de um dos três dons citados acima. Para Scarlett O"Hara de ...E o vento levou não faltava destemor. Por outro lado, carecia de paciência para aceitar que nem sempre querer é poder. Carecia principalmente de sabedoria para entender que a vida não era só sedução e dinheiro. Que nem sempre um olhar coquete e um belo rosto podem mudar o curso dos acontecimentos. Que nem sempre uma relação amorosa explode em paixão avassaladora. Que existem relações amorosas baseadas em uma ternura profunda. Que colocar a honra em primeiro lugar em relação ao lucro não é falta de inteligência.

À Cathy de O morro dos ventos uivantes faltava coragem para mudar e ao mesmo tempo conformismo para aceitar a própria covardia. Cathy sabia que amava Heathcliff acima de tudo, mas se deixa enredar por um jogo social para fugir à luta de enfrentar a família, a sociedade e seu próprio preconceito para ficar com o homem amado, subjugado por seu irmão. Como não é corajosa o bastante para lutar nem conformada o suficiente para aceitar, entra num processo de autodestruição que atinge seu marido e seu amado.

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À Emma Bovary, falta qualquer tipo de bom senso ou senso da realidade. Em uma reunião de anti-heroínas, provavelmente , seria Emma que faria as vezes da mestre de cerimônias. Ela embolava romance com luxo e não conseguia discernir entre um sentimento verdadeiro e uma paixonite. Emma até queria mudar, mas não sabia como. Escolhia os caminhos errados , confiava em vilões, desprezava ferozmente quem mais a amava.

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Anna Karenina é uma versão mais digna de Emma Bovary. Tão iludida e propensa ao desespero como a primeira. Mas Anna tem sentimentos mais nobres e coragem suficiente para romper com toda uma sociedade hipócrita. Porém, não tem forças para suportar as agruras da sua nova vida. Não tem forças para suportar as consequências das suas escolhas.

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April, de Foi apenas um sonho, interpretada pela fabulosa Kate Winslet, é uma anti-heroína mais recente , mas não menos voluntariosa , trágica e desesperada. April acreditava que a vida reservava algo de especial a ele e ao seu marido Frank. Mas quando vê cada um de seus sonhos desmanchar-se diante de uma realidade confortavelmente insuportável, entrega os pontos. A mulher que quer lutar , mas não sabe exatamente como, deixa-se vencer quase como num gesto de rebeldia.

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Falando em Kate Winslet, uma outra anti-heroína memorável, para ninguém botar defeito é Hannah de O leitor. Uma ex carrasca nazista analfabeta , com dificuldade para expressar seus sentimentos , torna-se o grande amor de um garoto de 15 anos , que mesmo na maturidade continua a amá-la.

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Se por um lado , as anti-heroínas carecem de honra, sensatez , equilíbrio emocional e valores mais sublimes , por outro, esbanjam intensidade , capacidade de desejar, capacidade de tentar se impor em um mundo que pouco ou quase nada reserva a estas mulheres cheias de verdades subjetivas. Sim, amamos as anti-heroínas porque elas são imperfeitas. Porque elas pulsam, elas são humanas, verdadeiras, reais.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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