cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

A diferença entre saber e sentir

Sim, muitas vezes sabemos X , mas sentimos Y. Muitas vezes racionalmente compreendemos que o outro não nos atingiu por querer, que o outro estava apenas seguindo o seu caminho e no afan de realizar o seu desejo nos atropelou. Mas , por outro lado, sentimos que cada gesto, cada palavra , cada atitude que nos feriu teve a intenção de nos machucar. Sim, às vezes, as pessoas machucam umas às outras de propósito. Mas nem sempre isso acontece e nós sabemos disso, mas dificilmente sentimos.


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Muitas vezes, sabemos qual é o melhor caminho a seguir. Muitas vezes, sabemos que um gesto de desatenção nem sempre significa falta de amor ou amizade. Muitas vezes, sabemos que as pessoas podem dar mancadas mesmo nos querendo bem.

Muitas vezes, sabemos que um não nem sempre é um não e uma rejeição nem sempre é uma rejeição. Muitas vezes, sabemos que um gesto de carinho nem sempre significa uma amizade verdadeira ou um real interesse em ser gentil. Muitas vezes, sabemos que o outro não tem certos deveres em relação a nós, mas por alguma razão ou por mais de uma , nós sentimos que sim.

Sim, muitas vezes sabemos X , mas sentimos Y. Muitas vezes racionalmente compreendemos que o outro não nos atingiu por querer, que o outro estava apenas seguindo o seu caminho e no afan de realizar o seu desejo nos atropelou. Mas , por outro lado, sentimos que cada gesto, cada palavra , cada atitude que nos feriu teve a intenção de nos machucar. Sim, às vezes, as pessoas machucam umas às outras de propósito. Mas nem sempre isso acontece e nós sabemos disso, mas dificilmente sentimos.

Muitas vezes, racionalmente compreendemos que o outro não tem culpa por ter nos deixado, que o outro não tem culpa por não nos amar mais. Mas, por outro lado, sentimos que o outro nos deve algo.

Muitas vezes, racionalmente compreendemos que o outro não tem a obrigação de se apaixonar por nós só porque estamos apaixonados. Mas, por outro lado, sentimos aquela desconexão afetiva como um insulto que merece uma resposta à altura.

Muitas vezes racionalmente compreendemos que o outro não tem o dever de gostar de nós , de nos acolher em sua vida. Mas, por outro lado, sentimos a falta de interesse alheia como uma agressão e não simplesmente como uma indiferença. Diante da indiferença e desinteresse que despertamos , sentimos que se esconde algum objetivo escuso por parte de quem nos ignora. Sim, às vezes, as pessoas fingem nos ignorar por uma série de motivos. Mas nem sempre isso acontece e nós sabemos disso, mas dificilmente sentimos.

Muitas vezes, racionalmente compreendemos que somos muito complacentes com os erros das pessoas amadas e severos demais no nosso julgamento quando se trata de um desafeto. Muitas vezes, um grande amigo tem defeito similar ao de uma pessoa que desgostamos, mas somos mais compreensivos com o amigo. Sabemos que tal postura é errada pois é parcial e desprovida de isonomia. Mas, sentimos que aceitar o defeito no amigo e apontá-lo em nosso desafeto é o mais natural, é o que nos proporciona mais conforto e satisfação porque dói ver indignidade em quem amamos e dignidade em quem não amamos. Ver os defeitos do amigo ou as virtudes do desafeto é o mesmo que pôr em dúvida tanto o nosso amor quanto o nosso desamor.

Como diria Woody Allen, é difícil fazer o coração e a cabeça trabalharem juntas porque no caso dele, a cabeça e o coração nem amigos são. Piadas à parte , este comentário ilustra muito jocosamente o abismo que existe entre o nosso pensamento e o nosso sentimento. Saber a hora de valorizar mais um ou mais o outro é uma arte...uma arte que definitivamente não domino.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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