cinema pensante

Como um bom filme pode mudar a nossa vida

Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu.

Closer, perto demais ou um olhar maduro e realista sobre a difícil arte de amar

Sim, quando chegamos perto demais , vemos aquilo que não queremos ver. Quando chegamos perto demais , percebemos o quanto as relações e as pessoas são frágeis , instáveis e suscetíveis a rupturas. O estar junto não significa necessariamente estar feliz. O estar junto não significa necessariamente estar amando e sendo amado. Nem toda despedida é por falta de amor. E nem toda escolha é para ser mais feliz. Muitas vezes, nem nós mesmos sabemos o que queremos. Em outras , queremos porque não podemos ter. Parece haver certa banalidade no possível.


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Os admiradores do cinema de Mike Nichols irão perceber o trocadilho existente no titulo do atual post. A difícil arte de amar é outro filme maduro, duro e realista sobre as agruras da vida a dois , realizado nos anos 1980 e protagonizado por Meryl Streep e Jack Nicholson. Do romance eufórico inicial até o marasmo da rotina a dois , os ideais de amor e felicidade sentidos e prometidos no casamento se perdem pouco a pouco, de forma orgânica.

A grande sacada destes dois filmes é mostrar a deterioração do amor de forma natural, pouco impactante. Não é um simples fato que muda tudo. É da própria natureza das relações afetivas se deteriorarem. Acabar é o normal, mas nem por isso deixa de ser triste. Bem, esta é a opinião transmitida pelos filmes...

Mas voltando a Closer, vemos dois casais circulando por uma areia movediça. Dan , vivido por Jude Law, se apaixona pela fotógrafa Anna ( Juia Roberts) enquanto vive com a stripper Alice ( Natalie Portman). Mas ele não se encanta por Anna porque é infeliz com Alice. Pelo contrário. Dan e Alice se conheceram de uma forma romântica e compartilham de uma relação afetuosa ao extremo. Mas , por algum motivo, Dan enxerga em Anna uma possibilidade de ser mais feliz ainda.

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Anna, por sua vez, divide-se entre a estabilidade de um casamento e o romance com Dan. Ela , provavelmente , é muito mais apaixonada por Dan, mas não consegue se desvencilhar do amor mais autoritário e menos doce do marido. Anna é melancólica. Precisa ser guiada. Talvez, mais do que isso: Anna precisa reiterar a própria melancolia , como afirma seu marido Larry ( Cliven Owen) a Dan. Provavelmente Anna é uma neurótica histérica. Os histéricos trabalham contra a própria felicidade. A histeria pode se manifestar de muitas formas, entre elas , por meio de um temperamento depressivo.

Alice, apesar de amar muito Dan, consegue ser mais sincera com Larry e diante da necessidade de revelar segredos e expor sentimentos profundos ao marido, prefere deixá-lo.

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Sim, quando chegamos perto demais , vemos aquilo que não queremos ver. Quando chegamos perto demais , percebemos o quanto as relações e as pessoas são frágeis , instáveis e suscetíveis a rupturas. O estar junto não significa necessariamente estar feliz. O estar junto não significa necessariamente estar amando e sendo amado. Nem toda despedida é por falta de amor. E nem toda escolha é para ser mais feliz. Muitas vezes, nem nós mesmos sabemos o que queremos. Em outras , queremos porque não podemos ter. Parece haver certa banalidade no possível.

Sim, às vezes , é um vício em comum que une um casal e muitas vezes não podemos ser sinceros com quem amamos. Às vezes, o amor exige um salto no escuro. Às vezes, o amor não basta e o outro só é encantador pois ainda é um desconhecido ou porque aquela relação nos faz mergulhar em algum tipo de culpa.

Sim, Closer é um filme indigesto. É o negativo do romance. É o que não aparece nas redes sociais. É o que não se compartilha nos eventos felizes da vida. É sobre aquilo, que muitas vezes, não compartilhamos nem conosco mesmo.


Sílvia Marques

Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu..
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